Look do Dia do Dia (4)

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Eu não costumo falar desse tipo de look, porque é dificílimo usá-lo como inspiração – a não ser como referência de tendência. Sinceramente, esse é um look que passaria batido pra mim, como passam os vestidos de casamento/gala que eu realmente só presto atenção quando estou em busca deles.

Eu não falaria nada sobre ele, se ele não tivesse sido comentado e re-comentado nos grupos que participo no Facebook (com menção honrosa para o #melhorgrupo) e nos grupos de whatsapp. Acontece que ninguém teria dado muito bola pra ele, mas alguém postou uma foto da Thássia com ele na fila do banheiro químico.

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Sabe aquela história do look que só funciona pra foto? Está aí o melhor exemplo que poderia ter visto. Ela está linda com ele, vestiu super bem, a foto está ótima, proporções certinhas, make e cabelo de acordo com o poder das peças, acessórios idem. A escolha de um look ousado e poderoso também está de acordo com o que ela costuma usar e com a personalidade que ela demonstra. Tudo certo, não fosse o fato de que ela estava usando o look na vida real e não no universo paralelo dos blogs.

A foto do banheiro químico prova que ela estava bastante overdressed para o evento, é só olhar as meninas que estão conversando com ela na foto. Aqui, não é questão de achar a roupa bonita ou feia, não é questão de saber se você usaria ou não. Ela parece fantasiada e isso não é legal nunca – a não ser que essa seja a intenção.

Nesse caso, acho que o principal erro de adequação está nos babados da saia: estruturado demais, trabalhado demais para um evento na praia. A elegância e concordância com o dresscode já estava presente na nobreza do tecido em si. Se você imaginar apenas a saia mais fluida, ainda longa ou midi, dá pra vê-la como parte integrante dos convidados e não como um destaque esquisito. (Mesmo assim, a saia longa fluida seria péssima para casos de banheiro químico. Mas aí eu teria dó e não críticas ;)).

Estar arrumada demais para uma ocasião é dessas coisas que acontecem com todo mundo, é chato e a gente tem que viver com a má escolha por algumas horinhas.

Para que isso não aconteça, é importante tentarmos ter o máximo de informação possível sobre o evento que vamos comparecer. Tanto para não estarmos totalmente desconjuntadas com o quórum, quanto por uma simples questão de conforto. Como usar um banheiro químico com essa saia? Como suportar o calor com tanto pano? Como manter uma make tão carregada em Trancoso? É importante saber se o evento é ao ar livre, se tem gramado, se tem ar condicionado, quem vai, qual é a estrutura. Eu sei que nem sempre dá pra saber, mas é bom tentar.

Deixando conforto e overdressismo de lado… Toda vez que analiso um look com uma foto linda, tento transferí-lo para a vida real. Não só para a ocasião em questão. Tento pensar nele com uma pessoa real usando. Na foto, escolhemos a melhor pose, a posição corporal que mais favorece, tiramos o look de um contexto e colocamos no outro, somos uma imagem estática. “Usar” significa nem sempre estar com a postura perfeita e ser pega em ângulos desfavoráveis. Significa levantar os braços pra abraçar alguém, descer escada, usar banheiro químico, sentar, levantar, dançar. Significa comer, beber, suar. Não estou falando de como a peça de roupa se comporta durante o uso, nesse caso, e sim do quanto pode ser um pouco ridículo estar completamente montada e viver a vida real.

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Look do Dia do Dia (3)

Cada dia é mais difícil achar um look do dia que pareça real, de quem está indo para algum lugar, vindo de outro. De quem colocou um sapato confortável ou de quem se virou com o que tinha no armário. De quem sentou, levantou, pegou o metrô, almoçou fora. De quem realmente comprou a roupa que está usando.

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E, por isso, é cada vez mais complicado achar na internet algo que funcione realmente como inspiração do que você pode fazer com o que tem. A Joana, do Um Ano Sem Zara, é das que usa looks reais de forma quase brilhante. Ela sabe usar peças improváveis e montar visuais cheio de truques pra “tomar nota” (#vovóquotes).

Sobre o look aí de cima ˆˆˆ Eu vi essa bermudona/pantalona/treco na TopShop em abril. Na arara, achei que era uma saia midi. Achei linda, peguei, reparei que era uma ~bermuda~ e falei “Eita, jamais”. Então, essa foto da Joana representa pra mim um total arrependimento. É uma peça difícil, mas longe de ser impossível.

E aqui vem o melhor truque de estilo que aprendi observando os looks do Um Ano Sem Zara: quando se tem uma peça muito forte (seja porque ela tem uma estampa pesada, ou porque ela é muito avant-garde, ou porque ela é pouco óbvia dentro do que você normalmente usa), não a use como condutora do fio da meada do look.

Explicaçãzinha: para um look harmônico é interessante que as peças se falem através de características próximas que elas tenham, que elas tenham um ponto de encontro. Assim, elas parecem partes de um mesmo todo. Aqui, o fio condutor é a cor rosa.

Ou seja, um pequeno detalhe da peça mais poderosa, é o que está mais presente no look inteiro. Dessa forma, você digamos, abaixo o volume, diminui o tom, da peça forte e, além de harmonizar todo o look, dá a impressão de que ela não foi um problema pra você. A sensação é de que ela está usando a bermudona como se estivesse escolhido um short jeans básico, não acham?

O rosa está presente na estampa, no batom, e é fundo de cor da bolsa, da blusa e – acreditem se quiser, da sandália. É tudo nude, mas com tons de rosa como base e sem ser tudo da mesma cor. Se ela tivesse escolhido preto, também presente na estampa, para nortear as escolhas, o resultado teria sido diferente. Se blusa, bolsa e sandália fossem pretas, do mesmo tom, o olhar ia parar na bermuda, e não “passear” pelo look como um todo. O maior contraste ficou por conta do óculos, que chamou atenção para o rosto (que é tudo que a gente quer, principalmente quando usando uma peça marcante na parte de baixo do look) e deu ainda mais personalidade.

Acho que a lição que fica é que o look harmônico não necessariamente é o look combinandinho. E a harmonia está presente nas sutilezas, no que a gente acha lindo e não entende bem por quê.