Look do Dia do Dia (3)

Cada dia é mais difícil achar um look do dia que pareça real, de quem está indo para algum lugar, vindo de outro. De quem colocou um sapato confortável ou de quem se virou com o que tinha no armário. De quem sentou, levantou, pegou o metrô, almoçou fora. De quem realmente comprou a roupa que está usando.

lddddret-Jojo

E, por isso, é cada vez mais complicado achar na internet algo que funcione realmente como inspiração do que você pode fazer com o que tem. A Joana, do Um Ano Sem Zara, é das que usa looks reais de forma quase brilhante. Ela sabe usar peças improváveis e montar visuais cheio de truques pra “tomar nota” (#vovóquotes).

Sobre o look aí de cima ˆˆˆ Eu vi essa bermudona/pantalona/treco na TopShop em abril. Na arara, achei que era uma saia midi. Achei linda, peguei, reparei que era uma ~bermuda~ e falei “Eita, jamais”. Então, essa foto da Joana representa pra mim um total arrependimento. É uma peça difícil, mas longe de ser impossível.

E aqui vem o melhor truque de estilo que aprendi observando os looks do Um Ano Sem Zara: quando se tem uma peça muito forte (seja porque ela tem uma estampa pesada, ou porque ela é muito avant-garde, ou porque ela é pouco óbvia dentro do que você normalmente usa), não a use como condutora do fio da meada do look.

Explicaçãzinha: para um look harmônico é interessante que as peças se falem através de características próximas que elas tenham, que elas tenham um ponto de encontro. Assim, elas parecem partes de um mesmo todo. Aqui, o fio condutor é a cor rosa.

Ou seja, um pequeno detalhe da peça mais poderosa, é o que está mais presente no look inteiro. Dessa forma, você digamos, abaixo o volume, diminui o tom, da peça forte e, além de harmonizar todo o look, dá a impressão de que ela não foi um problema pra você. A sensação é de que ela está usando a bermudona como se estivesse escolhido um short jeans básico, não acham?

O rosa está presente na estampa, no batom, e é fundo de cor da bolsa, da blusa e – acreditem se quiser, da sandália. É tudo nude, mas com tons de rosa como base e sem ser tudo da mesma cor. Se ela tivesse escolhido preto, também presente na estampa, para nortear as escolhas, o resultado teria sido diferente. Se blusa, bolsa e sandália fossem pretas, do mesmo tom, o olhar ia parar na bermuda, e não “passear” pelo look como um todo. O maior contraste ficou por conta do óculos, que chamou atenção para o rosto (que é tudo que a gente quer, principalmente quando usando uma peça marcante na parte de baixo do look) e deu ainda mais personalidade.

Acho que a lição que fica é que o look harmônico não necessariamente é o look combinandinho. E a harmonia está presente nas sutilezas, no que a gente acha lindo e não entende bem por quê.

Anúncios

Look do Dia do Dia (2)

No antigo Look do Dia do Dia, a Mariah era uma das minhas peças de análise preferidas. Ela veste os looks mais caretas e os mais ousados com a mesma elegância sem fim. Na maior parte do tempo, os looks são impecáveis mesmo. Quando têm alguma desproporção, é proposital. É talento. Sou fã.

lddddretMB
Eu olho o look acima e sei que ele é perfeito, em todos os aspectos.

Porém, looks como esse têm todo o jeito de hiper planejados. De quem acordou e pensou: “Hoje eu estou no espírito colegial” e se montou quase como quem monta uma fantasia. Quase da mesma forma que a mulher que quer parecer sexy delícia escolhe um tubinho preto colado+saltão+make poderoso para a noite.

Antes que você fique toda “gente, que absurdo, é claro que ela não está fantasiada”, saiba que não é isso que eu estou dizendo. Estou apenas chamando atenção para algumas coisas que funcionam como inspiração e nos looks do dia nos blogs, e não necessariamente funcionam na vida real.

Esse look da Mariah é LINDO, mas para o mundo offline, ele é montado demais. Aí você fala: “Quê? Nina, cê tá loucaaaa, olha que look básico”. É, mas não é.

É quase impossível combinar saia tipo colegial com camisa branca de botão e não ficar borderline fantasia. Pra usar sem parecer hiper planejado, existem uns bons truques. A Mariah combinou com a botinha de salto mais descoladinha, o que ficou ótimo. Outro recurso para o look não ser perfeitinho demais, é a o caimento um pouco mais largo da camisa e o botão estrategicamente aberto no colo (que ainda ajuda a alongar a silhueta).

Acho que para a vida real, faltou uma edição nos acessórios. Era ou o laço ou a bolsa.

A saia como peça girlie do look já passa todo o clima do visual. Sem a bolsa, o laço é um fashion statement. Sem o laço, a bolsa dá o toque de cor que faltaria no look.

No fim, eu acredito que a imperfeição, mesmo que planejada (como o botão aberto da camisa), é o segredo para o look natural.

O que você acha?

Look do Dia do Dia (1)

A partir de hoje, os looks do dia do dia nova geração serão numerados.

lddddretLM

Esse blog é um descoberta recente (como tem blog profissional hoje em dia né? all hail to the bloggers) e uma surpresa muito boa, antes de mais nada. A Luly Mendonça é uma pessoa real, com corpo real e looks reais – muito mais delícia de ler do que blogs que viraram revistas/editoriais de moda.
Calça estampada com animal print é um perigo. Pink é um perigo. As duas coisas juntas ligam um alarme no cérebro *danger* *danger*.

CAPÍTULO I – A CAMISETA PINK
Eu odeio dizer que certas coisas são proibidas para algumas pessoas. A realidade é que nada é proibido na moda. Mas as cores, principalmente, precisam de atenção especial. A mesma cor pode ter tons e sub-tons totalmente diferente e são esses detalhes que podem tornar uma peça de roupa perfeita ou totalmente destruidora de look.
Aqui a Luly acertou direitinho no tom, que realçou o tom de pele. O caimento da t-shirt também está perfeito, não é larga demais e também não é justa demais, dando uma sensação de que o look foi montada de forma bastante natural.
Em contraste com a calça de animal print, a camiseta pink serviu como um divisor de atenções. Ou melhor, ela é a grande peça do look, deixando a calça em segundo plano.

CAPÍTULO II – A CALÇA ESTAMPADA
Calça estampada é um perigo porque pode engolir o look todo. Ela tem uma tendência enorme a ser a protagonista o que, normalmente, causa desequilíbrio de proporções, pois o peso acaba caindo todo para a parte de baixo. E a calça (ou qualquer outra peça de roupa for that matter) nunca deve chamar mais atenção do que o rosto de quem usa – o seu rosto é seu contato com a humanidade, é o aspecto mais importante de qualquer look. Aqui, além da t-shirt ter trazido o equilíbrio, os acessórios serviram para tornar o look uma unidade, trazendo atenção para o rosto de dando personalidade.

CAPÍTULO III – OS ACESSÓRIOS
A combinação pink + animal print tem sempre uma grande chance de virar fantasia de personagem-clichê-perua-nova-rica-de-novela. As bijoux em tons de prata, com peso, e os acessórios em couro preto foram um grande truque para dar personalidade ao look e não cair na mesmice. O colar ainda tem duas funções especiais: trazer a atenção para o rosto e criar um decote imaginário (ótimo alongador de silhueta).

Considerações finais:
– O look é harmônico pra caramba. Excelente inspiração para quem tem calça estampada no armário. Principalmente, excelente inspiração para quem não tem pernas super hiper longas e finas e acha que não pode usar calça estampada: pode sim, mas lembre de colocar bastante peso na parte de cima do look para equilibrar.
– Sinceramente, não me decidi ainda sobre o que eu acho a respeito da barra da calça. Acho que precisava aparecer um pouco mais de pele ali na região tornozelo peito do pé, pra ficar ainda mais harmônico. Eu testaria dobrando um pouco a barra ou experimentando com um sapato que mostrasse mais o peito do pé.

E você? O que acha?

Look do Dia do Dia: O Retorno

Oficialmente, retorno aos deveres do Look do Dia do Dia. É a segunda tentativa de retorno desse exercício que eu tanto adoro e que eu tinha deixado de lado por incontáveis motivos – que vou acabar explicando aos poucos, enquanto retomo os posts.

Na primeira tentativa, eu disse isso aqui: “Antigamente, eu tinha esse outro blog, o Look do Dia do Dia. Lá eu fazia uma análise dos looks das blogueiras, gostando ou não. (…) Mas agora, que meu curso de Image Consulting está terminando aqui em NY, vou voltar a fazer as análises como exercício.”

Já faz um pouco mais de um ano que voltei ao Brasil e nada de cumprir minha promessa comigo mesma. Está na hora, certo? ;) Agora, me organizei bonitinha e minhas três ou quatro leitoras podem acompanhar o LDDDD direto da categoria dele. Por lá, coloquei alguns posts antigos do blog falecido, para quem quiser ver.

Daqui a pouco já tem post novo, mas antes não posso deixar de fazer dois comentários sobre consultoria de imagem e as análises de look do dia:

REGRAS EXISTEM PARA SEREM QUEBRADAS
Pra mim, e indo contra boa parte das aulas que eu tive a respeito, as regras existem para serem quebradas. Entender o próprio corpo é um bom truque para se vestir bem. Porém, a maior ferramenta que você pode usar é sua percepção sobre si mesma e a seu conceito de beleza. Pra mim, vale tudo contanto que te faça feliz. Roupas são um recurso incrível para mostrar ao mundo quem você é, e no fim quem define o que vai bem em você, é você. Aqui nesse blog, as regras impostas pela literatura da consultoria de imagem são apenas linhas-guia, e a gente pode colorir fora delas.

A ÚNICA REGRA QUE NÃO PODE SER QUEBRADA
Pra mim, não existe “não pode”. Idade, tipo de corpo, altura, cor da pele, do cabelo e posição social não limitadores e não devem ser nunca. O único aspecto limitador é o dresscode, e portanto a única regra que não deve ser quebrada. Respeitar o dresscode do trabalho, do evento e seja lá do que mais, é gentil e elegante. E mesmo dentro de um código de vestimenta, dá para brincar bastante.

Bora?

Parem os noivados

Minhas amigas sabem muito bem que fico à beira do desespero a cada novo casal que fica noivo no Facebook (salvo algumas exceções), coisa que tem acontecido pelo menos uma vez por semana. Fico louca para perguntar se eles realmente pensaram a respeito do casamento. Minhas amigas dizem que é trauma por ter me divorciado aos 27, mas não é.

É uma questão simples: “Vocês não acham que é uma coincidência enorme que todo mundo esteja achando o ‘amor da sua vida’ na mesma época da vida?”

Li outro dia que nosso complexo de princesa da Disney constrói na gente um desejo intrínseco e quase inconsciente de ser escolhida. De ser a escolhida. De ter o privilégio de ser selecionada por um homem, de ser o motivo pelo qual um cara abrirá mão de toda a sua suposta liberdade e libertinagem. Isso explica muita coisa. Explica a expectativa que a maioria tem em ser pedida em casamento, a sensação de “mission acomplished” quando ficam noivas, o sonho da festa de casamento perfeita e a até a posição de superioridade que pensam alcançar quando já podem preencher “casada” em um formulário qualquer.

Tento não julgar os desejos de ninguém. Mas a verdade é que a mulher que sonha em casar, sonha mesmo em casar com qualquer um. O príncipe encantado é aquele que te pede em casamento, que te salva de uma vida solitária e cheia de perigos aterrorizantes demais para uma mulher enfrentar sozinha.

Ficar noivo, para quem sempre sonhou com o casamento, é entrar numa gincana pessoal de preparativos (deliciosos, devo confessar) que tiram a atenção do que realmente deveria ser resolvido pré-casamento. Antes que os docinhos, as flores e os sabores de bem-casado entrem no caminho, resolvam quem vai lavar a louça aos domingos e qual assinatura da NET vale mais a pena. Porque mesmo que tenha havido uma briga homérica sobre escolher rosas brancas ou vermelhas, domingo tem toda semana e durante a vida toda tem domingo, com louça.

Sabe aquela história de ficar cego de amor? O noivado funciona como uma espécie de lente (engagement goggles) que faz com que você passe mais ou menos um ano da sua vida sem prestar a menor atenção no seu relacionamento. Qualquer impasse e discordância, por mais grave que seja, é visto como uma bobagem: afinal, você já foi escolhida para passar a vida toda com aquela pessoa. E é isso que importa. Isso e as flores do buquê.

E se você leu até aqui e está putadavida comigo, saiba duas coisas: a primeira é que eu não acho que esse seja um comportamento consciente, muito pelo contrário – como disse no segundo parágrafo. Google: complexo de princesa da Disney. A segunda coisa é que, se você pensar bem, você provavelmente não recusaria um pedido de casamento de alguém que conhece, gosta e tem afinidade, só porque ele esquece a luz do quarto acesa. Sem nem saber que essa pode ser a gota d’água no fim do seu casamento.

Escolher alguém para ficar toda a vida do nosso lado, mesmo que não seja toda a vida, é um processo que nada tem a ver com flores e vestidos. Você também faz parte da decisão. Pode ser que você queira casar, mas não agora. Pode ser que você queira casar, mas não com ele. Pode ser que você nem queira casar, mas só queira ele e queira agora. Pode ser que você queira transar com mais umas pessoas. Pode ser que você queira ir ao Marrocos sozinha. Pode ser que você esteja até gostando de outra pessoa. Pode ser que você ainda não saiba nem o que gosta mesmo de fazer. Pode ser que você queira entrar de branco na igreja, mas não tenha ideia do que o tédio pode fazer com um casamento. Pode ser que você não tenha pensado a respeito.

E pode ser que você tenha dado sorte e encontrado o amor da sua vida, e que você mal possa esperar para discutir sobre a real necessidade do pay-per-view do UFC ou sobre usar a mesa de jantar como cabideiro. Pode ser que você não consiga mais ver a vida daqui pra frente sem seu par, mesmo se tudo mudar, mesmo se tudo continuar igual. Acontece.

Desequilíbrio

“Acostume-se com o desequilíbrio”. É o que me professor de pilates me diz em todas as aulas, principalmente quando o exercício é se manter sentada em cima da bola sem os pés no chão. É difícil, bem mais do que parece. Mudar o centro de gravidade, se concentrar, tirar os pés do chão e não poder usar as mãos para se segurar. Eu quase sempre caio. Uma. Duas vezes. De repente, falta coragem para levantar os pés, falta coragem para largar a bola. Sobra medo de falhar. E aí, meu professor repete seu mantra (que nem ele sabe o quanto é importante): “Acostume-se com o desequilíbrio”.

Se você não se acostuma com o desequilíbrio, você cai. Se tem medo de se desequilibrar, não tira os pés do chão. Reconhecer a presença do desequilíbrio é saber lidar com ele. Sobre a bola, o reflexo ao menor sinal de desequilíbrio é colocar os pés de volta ao chão. Mas, assim que você acostuma, entende que tem que mexer o corpo, a coluna, o quadril, os braços, forçar o abdômen e as coxas, só para se manter ali, e se superar por mais alguns segundos.

Porque a vida é assim mesmo. Desequilibrada, imprecisa, desordenada. É preciso mudar o próprio centro de gravidade quantas vezes for preciso. E se mexer e trocar de lugar. Se esforçar para manter a concentração em meio ao caos. Achar a si em meio a tantas imperfeições.

O amor sem glúten

Procurar substitutos é uma das formas de lidar com o que não nos faz bem. Passamos a vida viciados em ajustar detalhes, trocando um botão aqui ou ali, colocando uma colher a menos de manteiga na panela. Vamos reformando nossas escolhas em busca de corpos mais saudáveis, de rotinas mais saudáveis, de relacionamentos mais saudáveis. Queremos o que há de melhor para nós mesmos, e por isso, ajustamos horários, fazemos restrições, cortamos e colamos pessoas na nossa vida.

Nos habituamos na busca pelo adequado, nos acostumamos a procurar o encaixe perfeito aparando arestas, nossas e alheias. Queremos o pão sem glúten, o leite sem lactose, o par sem defeito. Nos adaptamos aos relacionamentos sem açúcar e aos brigadeiros sem emoção.

Mas amar é gordo. Tem que ser. Tem que dar prazer e dor de estômago. Tem que ter o melhor gosto do mundo, mesmo que dê uma dor de cabeça aqui ou ali. Trabalhar é a saladinha de rúcula com rabanete. Amar é a colher de doce de leite cheia no fim do dia.

Amar é uma mistura ilógica de ingredientes que, se bem misturados, se tornam uma perfeita coisa só. Um bolo. Com calda. E sorvete. Amar é textura e consistência.

Quem ama sem glúten tem casa bonita, férias incríveis, um potencial enorme e uma aparência definitivamente atraente. Pode ser mais saudável e mais bonito. Mas, se puder escolher, escolha o que, mesmo com os piores ingredientes, consegue ser o mais delicioso, desses que deixa sorrisos e marcas permanentes.

Porque o amor que a gente quer, que a gente quer mesmo, é o que tem farinha. E açúcar, e manteiga, e sal, e corante, e espessante e, claro, conservante.

(texto bobo inspirado nesse aqui do salada mista)