O amor sem glúten

Procurar substitutos é uma das formas de lidar com o que não nos faz bem. Passamos a vida viciados em ajustar detalhes, trocando um botão aqui ou ali, colocando uma colher a menos de manteiga na panela. Vamos reformando nossas escolhas em busca de corpos mais saudáveis, de rotinas mais saudáveis, de relacionamentos mais saudáveis. Queremos o que há de melhor para nós mesmos, e por isso, ajustamos horários, fazemos restrições, cortamos e colamos pessoas na nossa vida.

Nos habituamos na busca pelo adequado, nos acostumamos a procurar o encaixe perfeito aparando arestas, nossas e alheias. Queremos o pão sem glúten, o leite sem lactose, o par sem defeito. Nos adaptamos aos relacionamentos sem açúcar e aos brigadeiros sem emoção.

Mas amar é gordo. Tem que ser. Tem que dar prazer e dor de estômago. Tem que ter o melhor gosto do mundo, mesmo que dê uma dor de cabeça aqui ou ali. Trabalhar é a saladinha de rúcula com rabanete. Amar é a colher de doce de leite cheia no fim do dia.

Amar é uma mistura ilógica de ingredientes que, se bem misturados, se tornam uma perfeita coisa só. Um bolo. Com calda. E sorvete. Amar é textura e consistência.

Quem ama sem glúten tem casa bonita, férias incríveis, um potencial enorme e uma aparência definitivamente atraente. Pode ser mais saudável e mais bonito. Mas, se puder escolher, escolha o que, mesmo com os piores ingredientes, consegue ser o mais delicioso, desses que deixa sorrisos e marcas permanentes.

Porque o amor que a gente quer, que a gente quer mesmo, é o que tem farinha. E açúcar, e manteiga, e sal, e corante, e espessante e, claro, conservante.

(texto bobo inspirado nesse aqui do salada mista)

Sobre amor e simplicidade

Love is simple as fuck.

Escrever sobre amor em português talvez seja uma das tarefas mais penosas que há. Racionalmente, acredito que despir o emocional em outra língua seja mais fácil, é quase como terceirizar o sentimento. Talvez isso seja só coisa minha, que tenho incontáveis referências do amor em língua inglesa. Não que as referências não existam em português, é que inglês é uma língua tão simples e trivial quanto o amor em si.

Love is simple as fuck.

E a gente deveria parar de tentar escrever tratados sobre o amor. Deveria parar de construir incansáveis analogias para explicar (pra quem?) como deve se sentir aquele que sente o amor. Nada mais frustrante do que ouvir toda a vida que o amor é algo que dói no peito, mas nunca sentir tal dor. Que ele é cego, mas ter certeza que ama sem deixar de enxergar perfeitamente o outro. Que o amor é mais forte e supera tudo, mas que às vezes é preciso ser forte e superar o amor.

O amor não é o que a gente lê e ouve. Love is simple as fuck.

O amor é o que te faz ter raiva do outro e mesmo assim sentir saudades. Mas o amor não te impede de ter raiva e também não garante que você sinta saudades. Amor é o que faz que os opostos dentro de você mesmo se atraiam, e que você queira que o outro suma da sua frente mas não vá embora.

Amor não te faz ver a vida de forma diferente. Amor não te faz crescer. Amor não te ensina a viver. Pessoas fazem isso. Pessoas que a gente nem conhece podem mudar nossa forma de enxergar o mundo. Pessoas que amamos podem ter nenhuma ou pouca influência na gente. Pessoas são complexas. Amor é simples.

Love ends. Love has limits. Love happens. Love is different for each. Love is more than just one thing. But it’s simple. Simple as fuck.

Quando é amor, é simples. Amor é mão dada quando dá vontade. É beijo quando dá vontade. É sorriso quando dá vontade. É choro quando dá vontade.
Amor é à vontade. É conforto e paz, mesmo na impaciência. É o espaço que não existe e o espaço que precisa existir. É não precisar do outro, mas querer mesmo assim.

Não precisa ser difícil, não precisa ser penoso, não precisa enfrentar o mundo. Quando é amor, é simples. Amor é a companhia até a esquina just because, é a carona de madrugada just because, é deixar o último biscoito do pacote para o outro just because. Amor é o seu prazer em fazer cafuné no outro.

Love is simple as fuck.
E a gente, realmente, deveria parar de tentar escrever sobre ele.

Não me encaixo em lugar algum

Esse não é um post depressivo de quem não se vê. Esse não é um post de recaída pré-adolescente. Esse é um post sobre as pessoas e seus castas próprios, sobre a mania que têm de formar pequenos grupos com regras de “pertencimento” firmes em fundações fantásticas.

Nunca fui uma pessoa particularmente expansiva. Pelo contrário. Gosto da posição de observadora, do meu canto, das longas conversas comigo mesma, da companhia de poucos. Para mim, a maior liberdade que existe é se sentir confortável com o silêncio. O ser sociável apareceu em mim aos 15 anos, porque se isolar do mundo é fácil, mas é chato. Ainda sou séria, passo quilômetros da personalidade “bubbly”, mas pelo menos sei conversar e tenho genuíno interesse nas outras pessoas. Yay, me!

Mas, depois de ter passado tanto tempo dentro de mim, desenvolvi um eu muito próprio – e pode ir parando já, se você acha que isso é redundante. Quando comparo meu eu com o de outras pessoas, o meu parece uma colagem louca e nonsense de gostos e desgostos, hábitos e preferências que não combinam entre si. Perdi o bonde do pertencimento. Não sou hipster, não sou nerd, não sou careta, não sou periguete, não sou a menina típica da zona sul, não sou fitness, não sou dona de casa, não sou mulher-guerreira-trabalhadora, não sou personagem de comercial de margarina, ou de absorvente ou de dia das mães.

Poderia aqui dizer que “pertenço um pouco a cada lugar”, “me encaixo em todos os grupos”, “flutuo em todos os castas”. É o cacete. A verdade é que eu não encaixo em lugar nenhum. E não por minha causa.

Gosto de Game Of Thrones, de XMen, de zumbis, de tecnologia de ponta, de entender sistemas, de jogos de lógica. Mas não posso ser nerd, simplesmente porque não sou obcecada por nenhum desses assuntos. Se não li todos os livros de GoT ou se meu conhecimento sobre zumbis se resume a The Walking Dead ou se eu sei HMTL mas não sei Java, well not good enough.

E isso vale para todas as categorias. Gosto de Pollock e Degas, tenho conhecimento básico de história da arte, mas não fui a Inhotim.

Gosto de Ella Fitzgerald, Of Monsters and Men, Los Hermanos, DMB e Johnny Cash mas também gosto de Miley Cyrus, Kelly Clarkson, Beyoncé e Justin Timberlake. Adoro um monte de banda, mas não tenho o menor interesse em ir no Coachella.

Gosto de brigadeiro, coxinha e bacon, mas (na mesma proporção) gosto de rúcula, edamame e chá de capim limão com gengibre.

Sei falar inglês, sei ler em espanhol, mas em francês só sei contar até 5 e tudo que aprendi de alemão já me esqueci.

Gosto de futebol, baseball e tênis, mas não lembro nomes de jogadores, estatísticas e perco vários jogos por estar fazendo outra coisa.

Gosto de gatos, baleias, ursos, cachorros, mas quando criança não gostava de bicho algum.

Gosto de roupa, de estética, de estudar e entender o mercado de moda. Mas acho história da moda um porre, esqueço o nome dos estilistas e simplesmente detesto desfile.

Tenho 7 tatuagens, mas nenhuma com mais de 5cm.

Li Clarice e Jane Austen antes dos 20 anos, mas não lembro uma palavra do que li. Li muita coisa, mas meu rol de favoritos é composto por Harry Potter, The Perks of Being a Wallflower e a biografia do Agassi.

Tenho convicções feministas, não suporto que as coisas sejam categorizadas por gênero, sou pro-choice e pro-love, mas acho que meninas são meninas e meninos são meninos (mesmo que seja confuso).

Uso por volta de 8 produtos de beleza todos os dias, mas não faço as unhas no salão há quase um ano. Adoro maquiagem, mas tenho quase um prazer secreto em não pentear meus cabelos. Não resisto a um unicórnio e fofurinhas em geral, mas gosto de beber uísque, single malte.

Well, not good enough para pertencer a qualquer grupo social.

EPÍLOGO (porque senti necessidade):

É verdade que eu gosto das pessoas. Gosto dos defeitos, das particularidades, de entender os porquês de cada um. Gosto de saber o que para ou move alguém, gosto de ouvir (talvez seja minha coisa preferida). Mas não gosto e não sei conviver com os personagens criados para pertencer aos grupos, com personalidades que parecem escolhidas em catálogo, escolhas milimetricamente planejadas para parecerem espontâneas.

Pior que isso, não aguento os falsamente alternativos, os falsamente livres. Os moderninhos da Comuna, com suas roupas iguais, mas compradas em uma feirinha “única”, com suas bandas que ninguém conhece, a não ser todos os que você conhece, com suas festas e rodas secretas que todo mundo sabe onde acontecem, com suas piadas internas e suas referências que apenas “entendedores entenderão” espalhadas e copiadas à exaustão na internet, com os mesmos filmes e livros preferidos e dissecados a fundo, com as mesmas tendências e sequências de pensamento. Os moderninhos que se acham um degrau acima na escala de evolução dos “coxinhas” que vestem polo ralph lauren em seus empregos formais e ouvem sertanejo porque sim, e que malham todos os dias e viajam para Miami. São todos iguais.

E me cansam profundamente.

Para queimar os sutiãs

Disclaimer: Apesar do título, esse post não tem nada de feminista per se.

Há alguns meses, vinha sentindo que minhas roupas não me vestiam mais de forma que me agradasse. Tinha alguma coisa errada. Podia ser comigo e com os kgs a mais que eu estou tão não-orgulhosamente cultivando. Podiam ser as roupas, já que vez em quando eu me canso delas de sobremaneira e elas simplesmente #nãomerepresentam. Podia ser a TPM. Podia ser mercúrio retrógrado. Não era.

Levei um tempo e, muita insatisfação depois, descobri que o problema estava no sutiã. Não no sujeito como objeto de vestimenta, eram especificamente os meus sutiãs. Há anos já havia aposentado meus sutiãs de alça, achando que esse era o core do problema. Fiquei um tempo bastante satisfeita com a coleção de tomaraquecaia (seja lá qual for o plural dessa palavra), mas enfim eles já não eram mais bem-vindos no meu corpo ou no meu armário ou por debaixo das minhas blusas.

“Que coisa horrorosa” – era o que eu pensava quando me olhava no espelho, com roupa ou só de lingerie. Tentei trazer de volta à vida meus sutiãs de alça e “meu deus do céu ainda não é isso que que tá havendo nesse armário acho que são as roupas não são as roupas esse sutiã não tá certo vou comprar um novo que mais que tem aqui nesse armário?”. Sabe?

No armário tinham dois, leia-se dois, sutiãs diferentes. Diferentes dos outros seis ou sete. Eles eram sem aquele bojo grosso, sem aquele formato que quando você tira o sutiã o peito parece que continua lá, sem push-up, sem potenciais ilusões de um silicone imaginário. Eles eram… normais. Vesti e (insira aqui uma imagem de iluminação divina).

Minhas roupas voltaram ao normal, voltei a me sentir feminina de sutiã, comprei mais alguns do mesmo estilo, passei o conhecimento para minhas irmãs que não só me apoiaram como também baniram os sutiãs-bola – é assim que eu vou chamar – das suas vidas.

Porque assim, e aqui vem o papo feminista que eu prometi que não tinha no post, quem teve a ideia estúpida de padronizar nossos peitos? Nossos peitos, gente. As pessoas realmente acham bonito todo mundo andar com o mesmo formato de peito da rua? Como se a única variação existente fosse pequeno, grande e médio? Imagino que deva existir mais variedade de peito do que de nariz por aí.

É engraçado ver que tem muita mulher que se orgulha dos seios naturais, sem silicone, mas nem percebe que todo dia veste uma armadura que repudia o formato natural dos peitos. Prefiro o silicone. Aliás, prefiro tudo o que me faz (te faz, nos faz) sentir mais bonita – e se isso é o sutiã bola, tudo bem.

Só acho existe um reflexão que toda mulher deveria fazer sempre, antes de qualquer escolha: é isso que eu acho mais bonito ou é o que o mundo me disse ser o mais adequado?

Forever 21 no Brasil: O que muda pra gente?

Fato: A Forever 21 chegou no país.

Fato II: Chegou com preços surpreendentemente baixos (sendo o mais alto R$109).

~pausa para dancinha~

Mas o que isso muda pra gente?

Para o mercado de moda, a gente pode esperar um baque enorme. Afinal, nenhuma marca de moda interessante e mainstream hoje pratica preços competitivos com uma forever xxi no mercado. A minha previsão é que algumas marcas aumentarão bem o preço para se posicionarem como luxo/semi-luxo, as espertas (finalmente) investirão em fortalecimento da marca e fidelização do cliente e as desesperadas morrerão. Podem aguardar o falecimento e inevitável falência de algumas conhecidas por aí.

Mas não é sobre o impacto no mercado de moda que eu quero falar. – Para isso aguardo análises dos especialistas.

Estive pensando sobre o que vai acontecer com nosso comportamento de compra, nossa forma de escolher, de pensar no orçamento… Como vai mudar o nosso olhar, tanto para a moda quanto para a roupa em si? Confesso que quase não coloquei esse ponto de interrogação no final da frase. Porque eu sinceramente acho que a nossa relação com a compra de roupas vai mudar.

Eu acho que a primeira mudança é a de comportamento de compra na própria Forever 21. Todas compramos lá, seja em viagens, seja imaginariamente no site (vocês não fazem isso? Eu faço). A questão é que, numa viagem, a gente tem um dinheiro que está ali para ser gasto e pouco tempo para gastar. Ou seja, o comportamento brasileiro na F21 é, por falta de palavra melhor, enfurecido. A ideia é comprar volume e gastar pouco. Experimentar e analisar (e re-analisar) é para quem tem muita paciência. Afinal, quando é que vamos ter a chance de comprar uma calça jeans por $20 novamente?

Mas e agora? E agora que o jeans vai estar lá eternamente disponível por R$89 (é isso mesmo)?

Conto a minha experiência de morar numa cidade com F21: Eu tinha muita preguiça de entrar lá, mesmo. Mas toda vez que precisava ou queria comprar alguma coisa específica, de calça jeans à blusa para sair, eu dava uma passadinha lá primeiro, para olhar. Muitas vezes, só olhei e decidi fazer um investimento maior e comprar em outro lugar. Outras, acabei comprando uma outra coisa que achei linda. Algumas vezes, entrei lá para fazer hora e comprei uma bijoux de $2 ou $3. Inclusive, bijoux junto com moletom e pijama só comprei lá. Tudo que me parecia de “modinha” ou que eu não tinha certeza se ia curtir usar, eu comprava lá, como uma beanie.

Na minha opinião, depois que passar o frenesi da época de abertura, vamos agir assim: entrar lá, não achar nada super-demais-lindo, comprar uma camiseta divertida ou um-short-jeans-porque-mais-um-nunca-é-demais, e pronto. Aquele vestido para aquela festa, a gente vai investir mais um tico e vai em outra loja. Isso eu ACHO.

Mas eu acho isso porque acho que vamos pensar duas vezes se vale mesmo dar R$80 naquele vestidinho que todo mundo vai saber que é F21. Porque a verdade é que vamos perder aquele orgulhinho de dizer “Esse vestido de festa incrível que parece que custou R$1000? É F21, menina, foi $28”. Todo mundo vai ter essa oportunidade, basta ter olhar e um mínimo de paciência.

Já nos escritórios acho que vai bombar menina vestida igual. A F21 faz uma linha de roupas que a gente não encontra(va) aqui: roupas sociais, arrumadas e que vão além da camisa de botão e da calça social preta/cinza. E aí, gente, vai parecer Ipanema no auge do verão pós-lançamento de alto verão da Farm, só que edição formal wear. Mas também acho que só durante um tempo…

Acho que vamos finalmente aprender onde devemos investir um pouco mais e onde devemos investir bem menos. Falo das peças em si e das ocasiões em que usamos também. Já usei vestido F21 para casamento porque né, quem iria saber? Agora todos vão saber que você só investiu R$60 naquela ocasião e não, não é legal.

Ao mesmo tempo, vamos finalmente poder brincar de hi-lo, testar (e errar) com novas tendências, experimentar novos estilos, ter ao nosso alcance opções mais baratas exatamente iguais as que vemos hoje nas marcas médias… Mundo novo. E nem me venha dizer que dá para fazer isso nas lojas de departamento brasileiras, porque sinceramente, viu? É outro conceito, outra estrutura, outro público. Elas que se cuidem.

Estou ansiosa. Não para inauguração, que acontece dia 22 aqui no Rio e hoje em SP. Mas para os próximos meses, pra mudança no mercado e no nosso jeito de olhar a moda.

Como sobrevivi 3 meses e 3 estações com 2 malas

ou “Como limpar o seu closet”.

Sempre fui do tipo de pessoa de armário cheio, farto, entupido. Quando me mudei da casa dos meus pais, transformei um quarto inteiro em closet. Enchi. Afinal, o espaço estava lá para ser preenchido. Quando acabava o espaço, eu fazia um bazar. Fiz vários, antes mesmo de me mudar, porque a verdade é que sou super desapegada das minhas roupas. Minhas amigas se fartaram em vários deles – o que acho ótimo, porque não “perco” nada.

Aí veio maio e NY, e o momento de fazer uma mala para três meses no verão. Foi mole. Tinha dinheiro guardado, programado para gastar com compras. Fiz uma mala pequena, semi-vazia, que foi levinha para minha temporada no verão da melhor cidade do mundo. Passou o verão. Voltei ao Rio com a mala mais pesada.

arrumando-mala

Plot twist. Vinte dias depois voltei para NY, dessa vez para pegar o resto do verão e todo o outono, com um hint de inverno. Dessa vez não tinha dinheiro para comprar nada além do básico (e aqui pode incluir cerveja, cada um com suas prioridades). Não tinha como fazer uma mala inteligente e, ao mesmo tempo, estilosa. Digamos que fiz uma mala esperta.

Quando passou o super calorzão de agosto, eu pude ver claramente os erros e acertos da minha mala. Mas sobrevivi, com duas malas, em temperaturas que foram de 40º a -6º, sem passar roupa nenhuma vez, lavando poucas vezes e não comprando quase nada (a não ser uma bota e uma coisa e outra no Beacon’s Closet) até a última semana por lá. Tudo por causa da mala esperta, que poderia ter sido ainda mais inteligente.

O mais interessante é que depois eu aprendi nas minhas aulas de Consultoria de Imagem e Personal Shopper que eu fiz nada mais que um armário base, uma coisa que todo mundo deveria ter. Segundo minha professora de PS, você só precisa de 13 peças por estação. E ó, é verdade. Eu comprovei.

Por isso, acho que as manhas da mala inteligente podem ser muito bem repetidas nos nossos closets entupidos. Percebe só:

Como cheguei com 40º e sabia que toleraria temperaturas abaixo de zero, quase todas as minhas roupas de verão poderiam ser transferidas para o inverno. As saias podiam ser usadas com meia-calça, alguns shorts também, assim como os vestidos. Blusas mais leves podiam ser colocadas com casacos mais pesados ou com várias camadas.
Onde eu errei: não experimentei as blusas levinhas com os casacos mais pesados. Algumas realmente não funcionaram e acabaram voltando pra mala quando o frio apertou. Assim como os shorts jeans, que eu não precisava ter levado 5 se só usei 3 (meus preferidos), alguns vestidos não ficaram bem com meia calça de lã por serem muito de verão.
O que funcionou muito bem: as t-shirts brancas de vários modelos. As saias também, por serem mais sóbrias e terem um tecido intermediário em termos de peso – nem tão frescos e nem tão pesados.

Não adianta: você só vai usar as calças que tem vestem maravilhosamente bem. Gente, sério. Levei 6 calças, entre jeans e leggings (não considerando roupa de ficar em casa, tá?), comprei 2. Usei: 4. Metade.
Onde eu errei: Não pensei nos sapatos. Várias das minhas calças eram totalmente impossíveis de usar com bota de cano curto e isso era só o que eu tinha depois que acabou o verão.
O que eu acho: Ninguém precisa de calças que vestem “mais ou menos” no corpo. Nem na mala, nem no armário. Se só tem um tipo de calça que te veste bem, só tenha esse tipo de calça. Mesmo que para isso você precise se livrar de todas as outras do seu armário e ficar com duas calças. Você vai sobreviver.

Quanto mais espaço você tiver, mais você vai encher. Não tenha espaço. Em certo momento, quando mudei de Bed-Stuy para Ridgewood (#newyorker), tive que dividir um armário com meu namorado. E por armário eu digo uma porta, com uma prateleira, um pequeno espaço para pendurar roupas, e só. Nenhuma gaveta. Di-vi-di-do por dois.
Onde eu errei: Pendurei muita coisa no mesmo cabide para economizar espaço e acabei me esquecendo de várias roupas. Muitas delas eram supérfluas mesmo e nem deveriam ter sido levadas, como as blusas fresquinhas, e acabaram escondendo roupas que eu precisava/queria usar.
O que eu acho: Ao invés de dividirem o cabide com os casacos, elas deveriam ter ido para a mala (ou para doação, se estivermos falando do seu closet).

Aprendi nas minhas aulas que se uma peça não combina com outras três ou mais do seu closet, ela tem que sair. Acho muito radical para a realidade, mas para uma mala inteligente ou para um momento em que o armário vai passar por uma mudança profunda, isso é essencial. É brincar de análise combinatória com o que você tem. E aceitar que repetir roupa é ok.
O que eu acho: Repetir roupas e tentar combinações diversas com as peças é muito mais fácil em temperaturas mais baixas. Quanto mais camadas, mais opções. Além disso, as roupas costumam ser mais sóbrias, menos marcantes que as de verão.

Você já deve imaginar. Aqui os acessórios são essenciais. Para mudar a cara, o clima, a adequação, a vida, a luz da roupa. Mas, acredita em mim, você não precisa de mais de três bolsas ou mais de quatro pares de sapato, morando no Brasil principalmente. É legal tem milhares? É. Mas desde que eu cheguei de volta, meus mais de 40 pares de sapatos estão todos dentro de malas e não fiz a menor questão de pegá-los.

No fim, é o seguinte: a gente precisa de muito pouco, mas é legal ter muito. Né? Mas acho que nesse ano vou pensar nas minhas roupas como penso nas pessoas: Mantenho todas que amo, algumas das que eu gosto bastante, me livro do que não me cai bem, não tenho nada por obrigação e pronto. Simples. ;)

Look do Dia do Dia

Esse post foi originalmente ao ar em agosto de 2011.

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Juro pra vocês que acho look todo branco uma ousadia. É lindo, não podemos negar. E quem não fica com cara de médica, fica com cara de rica. Isso é quase regra. Mas ô lookzinho difícil de sair bom. Principalmente, quando tem calça. Quantas pessoas no universo ficam bem de calça branca?
A Lari Duarte fica. E, olha, ela já merecia todos os créditos com pausa disso. Escolheu o modelo certinho de calça, porque apesar de ser bem magra ela não tem as pernas mais finas do mundo. Ela escolheu muito bem os acessórios também. Afinal, look total-white (haha tipo colgate) tem que ter um ponto de luz, como a bolsa, apesar d’eu achar que você não vai carregar a bolsa o tempo todo. O sapato de python é bem “informação de moda” no look e eu curti.
Agora, a blusa não é branca. Né? O maior problema de looks monocromáticos pra mim é quando os tons não são os mesmos. E branco tem tom gente, preto também. Pra mim, matou o look que poderia ter sido lindo. Até mesmo o sutiã escuro aparecendinho ia ficar legal se a blusa fosse branca mesmo. E também acho que a blusa não é nude o suficiente pra ser um branco + nude, igualmente rico. Ou será que a blusa é branca e sou eu que não tou vendo?

Posts retroativos do LDDDD pertenciam ao blog anterior. Todos passaram por uma re-análise, mas mantive o mesmo texto por motivos de ainda concordo com a minha própria opinião a respeito.

Look do Dia do Dia

Esse post foi originalmente ao ar em outubro de 2011.

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Estava eu aqui reclamando para mim mesma o quanto está difícil de achar um lookdodia que não pareça “me vesti pra foto” ou “me montei para o evento” ou “comprei o look pronto na loja”. Muito difícil. Aí, fui dar uma olhada nos comentários de vocês pra ver se alguma sugestão tinha fugido de mim. E tinha. A Camyla Mendes mandou o link do Closet da Pri.
E putz, gente. Olha. Que alívio encontrar um blog de gente que se produz com o que tem no armário. Porque, né, na vida real, nós que fazemos milagre com o que tem no closet somos maioria.
O look acima era o último postado por ela. Gosto muito das misturas dos tons pastéis, mas em geral acho que o look precisa de alguns ajustes. Usar sobreposições é muito legal para criar linhas imaginárias e alongadoras no corpo, mas tem que tomar muito cuidado com o volume.
Acho que o grande problema desse look é a blusa branca. Pensa só. Fechem (na imaginação de vocês, claro) a camisa xadrez, deixando os dois botões de cima abertos e coloquem ela pra dentro da calça. O casaquinho mais escuro ia diminuir visualmente o volume lateral da calça e alongar a silhueta. Agora, dobrem as mangas do casaco e da camisa até metade do antebraço, deixando os pulsos para fora.
Resolveu, né? :) Pra mim, sim!

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Look do Dia do Dia

Esse post foi originalmente ao ar em dezembro de 2011.

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Eu sempre digo e não canso de repetir: um look vai muito além da roupa que a gente veste. Aliás, roupa é roupa, na gente ou no cabide. O que muda é o contexto e a atitude.
Pra mim, esse look da Joana é o resumo dessa ideia. Provavelmente, olhando essas duas peças no armário não imaginária que elas poderiam coexistir num look. De todas as regras que a gente aprende para fazer um “mix de estampas sem erros”, esse look não segue nenhuma. E taí a graça de tudo: ele é lindo, mesmo assim.
De vez em quando, a melhor regra é não seguir nenhuma regra. É claro que até para quebrar regras tem algumas regrinhas… Se você vai apostar no total clash de estampas, como a Joana fez, todo o resto tem que funcionar: a modelagem tem que ser simples e perfeita para o seu corpo, acessórios e make coerentes, e atitude certa. Além disso, se vai apostar em estampas opostas, que elas sejam totalmente opostas. Nada pior para um visual do que um look que ficou no meio do caminho.
Por fim, se você está insegura com a combinação que fez, pergunte a alguém com bom gosto.

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Look do Dia do Dia

Esse post foi originalmente ao ar em agosto de 2012.

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Falei lá no Twitter que alguns looks eu amo tanto que nem tem muito que dizer. Esse look da Nati é um deles.
Fiquei aqui pensando o porquê de ter gostado tanto. Acho que foi porque essa saia é do tipo que eu só imagino com camiseta ou uma camisa mais longa que deixa só uma pedacinho da saia aparecendo, sabe como? Pelo menos aqui no Rio, em que nossas nights mal exigem salto.
Adorei a combinação com o peplum, que é “calmo” sem ser muito armado. Fechado até o pescoço, ele “desperigueta” o look saia curta+saltão. Né? Ah! E a Nati falou lá no post exatamente o que eu falaria aqui do colar: “pesou na medida certa e funcionou como terceira peça”.

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