Look do Dia do Dia (8): Sem Acessórios

Outro dia, procurando lá no Pinterest looks para o último Look do Dia do Dia, reparei como foi difícil achar um look sem que a mulher estivesse usando óculos escuros. Comentei ca minha amiga Carla Lemox e ela disse que era tipo de oldest trick in the book para deixar o look com mais interessância, com um quê a mais, com cara de completo (não foi exatamente isso que ela disse, mas foi o que eu interpretei, dá licença, amiga).

E por que, Nina sua linda, você queria looks sem óculos escuros se eles são tão legais e não falam mal de ninguém? Porque eu acredito que alguns acessórios não podem ser a grande chave do visual, principalmente se há grandes possibilidades de que você vá chegar ao destino e tirar o acessório. Lembro bem de um episódio de Sex and the city em que Carrie vai a um chá de bebê e mandam ela tirar os sapatos para entrar no apartamento. A resposta dela é (em tradução livre): “Mas isso é um look (outfit). Se eu soubesse que ficaria sem sapatos, teria compensado com um chapéu grande ou algo do tipo”.

É claro que isso é difícilimo de acontecer na vida real e eu nem considero o sapato como um acessório periférico e sim como uma peça do look. Mas se pensarmos em bolsas, por exemplo, faz muito sentido. Em qualquer lugar que você vá, é bem provável que você deixe a bolsa descansando num canto. Se ela for muito importante para a coordenação do look, você vai perder muito. Certo?

Tudo isso começou a vir na minha cabeça desde que mamain me veio com um problema de vestimenta: o lugar onde ela trabalha proibiu todo e qualquer uso de acessório. Qualquer um, por menor e mais delicado e discreto que fosse. E agora? Como escolher roupas que se sustentassem sozinhas, sem nem um mísero colarzinho? Fomos às compras e escolhemos para ela blusas com estampas fortes, investimos em uma maior variação de cores, demos preferência para o que tinha detalhes extras (aplicações de metal, mangas trabalhadas, botões diferentes), escolhemos tecidos com mais corpo, volume e textura do que habitualmente teríamos escolhido… Enfim, deu trabalho, mas conseguimos montar looks que não precisariam de muito para serem completos.

Mesmo tendo base na solução de um problema, percebi que esse é um truque preciso. Além de ser uma super alternativa para quem não tem muito saco/habilidade de testar milhares de combinações, ou não tem um acervo grande de acessórios, ainda provoca no ~~espectador~~ a sensação de “look lindo sem muito esforço, acordei maravilhosa assim mesmo”.

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Recentemente, a Mica Kodama, a Bruna Vieira e a Karol Pinheiro postaram looks quase sem nenhum acessório, e que se sustentaram sozinhos por causa desses aspectos que contei aí em cima e mais. Tudo em um look é informação, como acho que já disse em outros posts. E isso inclui cabelos (coloridos, compridos, com textura, produzidos), maquiagem (batom forte, sombra, esmaltes), contrastes naturais ou não (peleXcabelo, roupaXpele) e até atitude. Esses periféricos todos interferem e acrescentam tanto quanto ou mais que acessórios como colar, chapéu e pulseiras. Percebem?

Breve observação: foi uma coincidência (ou não) bem interessante que quando peguei esse look da Karol para exemplificar o post, percebi que ela mesmo tinha dito no texto que há muito tempo não usava um look sem acessório algum, e que uma amiga disse que era “hype na gringa”. Melhor ainda, né? Simplificar a vida é uma delícia.

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Look do Dia do Dia (7): SemelhanteXSemelhante

“Like enhances like”. Essa foi talvez um dos truques mais valiosos que aprendi no FIT, durante as aulas de consultoria de imagem. A máxima, repetida à exaustão pelos professores, significa que a melhor forma de realçar uma característica é combiná-la com uma característica parecida. Achou difícil? É mais simples do que parece e existem várias formas de aplicar.

A mais natural delas é achar um padrão ou característica que ocorre no nosso corpo/rosto e repetí-la no look. Replicar o nosso próprio contraste é uma das melhores formas de entender como a técnica funciona: se você tem cabelo e peles com a coloração muito próxima (baixo/médio contraste), é bem provável que uma blusa com baixo/médio contraste ficará ótima em você.

O mesmo acontece com as linhas do nosso corpo e nosso rosto. Já repararam como algumas pessoas têm linhas mais arredondadas e outras mais angulares? Replicar isso no look, seja através da estampa ou da modelagem, é um ótimo recurso para realçar um aspecto do corpo. Perceba que estamos falando de realce – e se você pensar, você já sabia dessa regra. Quantas vezes ouviu que linhas horizontais da roupa realçam as linhas horizontais do corpo?

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A parte mais legal desse recurso, porém, é usar as nossas características menos prováveis, como o cabelo. Looks harmônicos, desses que eu sempre digo, que o olho passeia dos pés à cabeça, costumam usar o cabelo como um recurso importante. Nos dois looks acima isso acontece super bem.

No look da esquerda a saia e o os cabelos têm uma conexão direta, um realça o outro na medida em que se parecem, já que ambos são longos, fluidos, com médio contraste entre si (luzes x vermelho/azul). O look todo realça linhas verticais nos cabelos e na saia somados ao colar longo, à fenda da saia, à bolsa longa e à linha imaginária que a jaqueta aberta cria. A fluidez chega até a jaqueta de couro, que parece ter um couro molinho, que não cria “pontas”.

No look da direita (que roubei lindamente do Pinterest do Modices), o padrão criado pelo cabelo se repete na estampa da calça e no lenço da cabeça. O cabelo também empresta para o tênis uma das suas características, o volume, que dá sentido ao calçado e deixa o look harmônico. O lenço como está mais perto do rosto, tem o contraste parecido com o da pele com o cabelo – a calça, longe do rosto, não necessariamente precisa seguir esse padrão.

Interessante, né? Eu acho. O truque é conhecer o próprio corpo e escolher o que você quer realçar, de acordo com o que você está sentindo naquele dia ou com o que você ama em si.

Guia de Novas Marcas para Amar

Ainda não contei aqui, mas meu mais novo empreendimento é esse blog aqui, o Deep Fried Chicks. Por lá, me juntei à minha Liv Brandão para falar sobre a nossa paixão em comum: comida. Hoje, estava escrevendo um post (lê bonitinho lá na sexta-feira, tá?) sobre eventos gastronômicos que vão rolar aqui no Rio e percebi que eles têm uma coisa em comum muito importante. Os três têm como conceito e objetivo a valorização de produtores e criadores locais – tanto na área de gastronomia, quanto em arte e design.

Durante meu curso no FIT, ouvi diversas vezes dos professores de marketing, branding e forecasting que o mundo da moda estava tendendo para a revalorização de marcas menores, mais artesanais, de produção local e com número de peças limitadas. As causas são muitas, as consequências outras tantas.

A valorização do produto local (do seu bairro, da sua cidade, do seu país) promove, além de preços mais justos, uma relação pessoal e intransferível com a marca. Em um momento que estamos cada vez mais individuais, marcas menores e mais exclusivas podem nos oferecer tudo o que as marcas gigantes não conseguem: atendimento e atenção especiais, melhor compreensão dos desejos pessoais, um timing quase perfeito das tendências, a sensação de que estamos diretamente participando do crescimento de alguém e a beleza da descoberta. É uma relação parecida com a dos indies e suas bandas, uma delícia.

Isso tudo só é possível graças à ela, à lindíssima internet, que permite que pequenos criadores de moda divulguem e vendam seus produtos sem gastar rios de dinheiro em uma loja física ou um catálogo impresso. Pra quem já perdeu o preconceito de comprar online e está afim de conhecer marcas novas, lindas e que fogem bem do que vemos nos shoppings, é um prato cheio – transbordante.

Essas são as minhas mais novas marcas para amar:

Parco Design

Parco Design


A relação com a Parco foi de paixão à primeira vista. São aneis, pulseiras, colares, brincos e calçados (masculinos e femininos!!) lindíssimos, moderninhos, com poder e delicadeza. Um amor só.

Lâle

Lâle


A Lâle é a marca de duas cariocas que se conheceram na faculdade de moda. Essa é uma história que acontece com muita frequência aqui no Rio, mas pouca coisa realmente vinga. Pra mim, a marca tem muito a oferecer e crescer (sem perder o charme de ser “joia local”). Comprei a saia de elefantinho da foto e tenho vontade de usar só o tempo todo.

Benta Studio

Benta Studio


A Benta Studio é apaixonante. As estampas (criadas por eles), a modelagem, as fotos, o conceito… Tudo me ganhou de cara. Eu dei azar e comprei uma peça esgotada (que não estava sinalizado por um erro comum de sistema). Mas lembra do que eu falei lá em cima? O atendimento pessoal faz toda a diferença nessas horas. Continuo apaixonada pela marca, programando a próxima compra.

Bazis

Bazis


A Bazis eu conheci quando trabalhei para a Babilônia Feira Hype e amei. É A marca da menina carioca, na minha opinião. Descolada, moderninha, com um quê de farmete, mas com um ar de novidade. O clima da marca é delicioso e pensado pra te fazer feliz. Sério.

Oh K!

Oh K!


Descobri a Oh K! e quase não consegui acreditar que pudesse existir uma marca que capturasse tão bem o meu mood do momento. Ainda não comprei nada nela simplesmente porque não consegui escolher uma coisa só – entre quadros e camisetas – e como tenho comprado cada vez menos e mais consciente ficou pra depois. Mas o desejo é grande.

Pelican Fly

Pelican Fly


Pelican Fly
Ainda não comprei nada nela, por motivos de: meu dinheiro acabou em janeiro. Mas essas aí são as (também) minhas prováveis próximas compras.

Se você conhece marcas de moda desse tipo aí que eu falei, me conta aqui nos comentários? ;)

Look do Dia do Dia (6)

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O equilíbrio entre volumes é essencial para um look harmônico. O equilíbrio, ou até do desequilíbrio proposital, é um dos recursos mais práticos para escolher o ponto de foco do visual. A melhor parte é que você provavelmente já faz isso intuitivamente, testando em frente ao espelho.

Normalmente em um look, o maior volume fica por conta de onde há mais tecido e/ou mais detalhes, certo? Para equilibrar, o natural é colocarmos uma peça pesada no lado oposto (tipo, topXbottom) como contrapeso. Uma questão de física. RISOS.

Nesse aspecto, o look da Lu é super interessante. Se vocês me permitem abusar um pouco da teoria e dividir o corpo em oito (de acordo com o tamanho do rosto)…
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Quase metade do corpo da Lu está coberto por tecido, no caso 3/8, porém ocupando apenas a parte de cima do look, deixando a outra metade sem nada que provocasse peso. Certo? Não. A verdade é que o contraste entre claro e escuro aqui é tão grande que o espaço “vazio” tem quase ou maior peso do que o espaço preenchido. O espaço negativo (#modices), oposto, também cria volume. Nesse caso, as pernas nuas foram responsáveis pelo equilíbrio geral do look. A sandália bem perto do tom da pele também ajuda para essa sensação e não quebra a continuidade do volume criado na parte de baixo.

Se eu pudesse trocar algo, prenderia o cabelo de Lu em um coque ou algo do tipo. O cabelo comprido e ondulado deu um volume extra na região do busto – onde já há volume extra naturalmente, nesse caso. Ele ficaria ainda mais equilibrado se o cabelo não estivesse por ali.

O que você acha?

Look do Dia do Dia (5)

Pensei em mil formas de começar esse texto, alguma historinha legal para contextualizar a análise, ou até alguma coisa que eu tenha aprendido recentemente. A verdade é que não tem outro jeito, a não ser ser objetiva: essa saia acabou com o look.

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Temos que ter muito cuidado quando usamos um look que provoca uma quebra de continuidade no olhar. Isso acontece de várias formas e por vários motivos. Nessa caso, a saia já tem tendência a provocar esse tipo de break, que faz o olhar parar em vez de “passear” pelo look, como eu costumo dizer. Ou seja, tem muita chance de tornar o look pouco harmônico. Além do próprio modelo da saia, a quebra aqui fica especialmente incômoda porque os tons de preto, da blusa e da barra superior, são diferentes.

Tanto no quase da quebra quanto no caso da diferença de cores, eu tenho uma única observação: se isso vai acontecer de qualquer forma, exagere na quebra, faça a diferença de cores parecer proposital. É mais fácil acertar dessa forma. Eu acho que é melhor passar pro mundo que você errou tentando uma coisa nova, do que estar com um lookzinho mais ou menos esquisitinho.

Falando sobre a consequência da quebra em si… Como eu disse no post anterior, ninguém “tem que nada”, então ninguém tem obrigação de se vestir de modo a afinar a cintura, diminuir o quadril ou alongar a silhueta. Mas tem que tomar um cuidado enorme para não desfigurar o próprio corpo.

Antes que vocês fiquem desesperadas porque “onde que o corpo dela está desfigurado?”, foi só uma maneira de expressar a minha sensação ao ver esse look. Até pensei que pudesse ter algum tipo de photoshop alongador na imagem. A verdade é que como disse minha amiga Carla Lemos, esse faixa bicolor da saia deslocou o centro do corpo dela. E assim, o nosso olhar fica perdido. Porque quando olhamos outra pessoa, procuramos um ponto de referência inconscientemente (por isso também insisto que devemos tentar sempre chamar atenção para o nosso rosto). Nesse caso, parece que ela tem a cintura mais longa do mundo, de uma forma totalmente desproporcional ao corpo dela.

Em última nota, eu tenho impressão que a Lala Rudge (essa maravilhosa aí, dona desse look e dos cabelos mais lindos e invejados da interneta) não deveria usar tons de pretos tão saturados assim. Tão preto-preto, tão frio. Acho que se ela fizesse aquele teste de coloração que fazemos na Consultoria de Imagem, diríamos para evitar preto saturado tão perto do rosto. Preto é mais difícil que parece, gente.

Em 2015, ninguém “tem que” nada

Quando o assunto é “regra”, sempre fui a favor da máxima que diz que ela deve ser cumprida. Fui criada assim. Apesar de pais bastante liberais e que fizeram questão de estimular meu poder de argumentação (para orgulho e desespero deles), toda minha infância e adolescência foi baseada nas obrigações que tinha que cumprir, no que era meu direito e no que era meu dever. Por mais que meus pais permitissem que os deveres diários fossem questionados, jamais abriram mão de dizer: “Você pode discordar e até ter razão, mas obrigação é obrigação”.

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Levou alguns anos, algumas dores e inconsistências, um divórcio e toda a sensação de independência, para que eu finalmente lesse a frase “toda regra existe para ser quebrada” e não achasse uma total estupidez. Ainda não concordo com ela, mas tudo mudou.

Posso dizer que a coisa mais valiosa que aprendi em 2014 é que regras existem para serem repensadas, atualizadas e reformadas sempre que possível. Quanto mais você entende o porquê, o contexto e o objetivo de uma regra, mais você é capaz de quebrá-la com maestria, educação e gentileza.

2014 foi o ano em que escolhi minhas causas a defender e amar, com unhas, dentes e paciência. Ainda não sei o que veio antes: a paixão pelas causas ou o novo entendimento das regras, mas sem dúvida as duas coisas estão diretamente ligadas.

Em geral, as regras existem para que possamos viver de forma organizada e justa, para que tenhamos uma orientação na hora de fazer escolhas que funcionem melhor, para nós e para a sociedade. Mas inúmeras delas foram criadas em fundamentos que, hoje, já não fazem sentido algum. O que é antigo e ultrapassado deve ser discutido e enfrentado.

Em 2014, aprendi que:
– Nenhuma mulher tem a obrigação de ser ou fazer qualquer coisa simplesmente pelo fato de ser mulher. Nenhuma mulher precisa ser mãe, ou usar saia, ou ser guerreira, ou ser mil e uma utilidades, ou casar, ou ser feminina, ou ter cabelo comprido, ou ser delicada, ou ser forte. Nenhuma mulher precisa ser bonita, ou malhar, ou se preocupar com a alimentação, ou cuidar de ninguém, ou usar brinco, ou gostar de rosa, ou gostar de homem. Nenhuma mulher precisa fazer alguma coisa que não deseja, simplesmente pelo fato de ser mulher.

– Ao mesmo tempo, aprendi que toda mulher também tem o direito de querer ser mãe, dona de casa, de paparicar o marido, de cozinhar e cuidar da família. Tem o direito de só se achar bonita de saia, de batom vermelho e cabelo arrumado. E, se puder, tem o direito de não querer trabalhar. Ninguém é menos feminista por causa disso. Nenhuma regra social deve impor algum dever à mulher, se a regra for baseada no argumento de que ela é mulher.

– Em termos de consultoria de imagem, aprendi que devemos abrir mão de palavras castradoras de auto-estima. “Emagrecedor”, “disfarce de silhueta”, “vulgar” e “engordativo” são palavras que classificam a pessoa através dos nosso olhar e só prejudicam a construção da auto-imagem do outro. Não somos nós que dizemos quem o outro deve ser ou parecer, certo? Não existe nada nem ninguém no mundo que pode te dizer o que usar. A única coisa que guia o que você pode vestir é o dresscode (leia aqui sobre a única regra que não pode ser quebrada).

– Aprendi que não adianta tentar padronizar o mundo através de regras criadas pelas nossas próprias réguas. Não é porque o meu quadril é grande e eu não gosto, que todas as outras pessoas de quadril grande devem disfarçar os seus. Não é porque você fez faculdade e tem sucesso, que o outro deve fazer faculdade para ter sucesso. Não é porque você emagreceu e fez dieta, que o outro não possa estar perfeitamente feliz com o próprio corpo. Não é porque você é gordinho e feliz, que o cara que acorda às 7 da manhã para malhar é um infeliz. Não é porque você é entusiasta da cerveja artesanal, que o outro é um idiota por adorar a industrializada. Ninguém tem a obrigação de ser da forma que você planejou.

Em 2015 (e a partir dele), ninguém “tem que” nada.

Look do Dia do Dia (4)

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Eu não costumo falar desse tipo de look, porque é dificílimo usá-lo como inspiração – a não ser como referência de tendência. Sinceramente, esse é um look que passaria batido pra mim, como passam os vestidos de casamento/gala que eu realmente só presto atenção quando estou em busca deles.

Eu não falaria nada sobre ele, se ele não tivesse sido comentado e re-comentado nos grupos que participo no Facebook (com menção honrosa para o #melhorgrupo) e nos grupos de whatsapp. Acontece que ninguém teria dado muito bola pra ele, mas alguém postou uma foto da Thássia com ele na fila do banheiro químico.

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Sabe aquela história do look que só funciona pra foto? Está aí o melhor exemplo que poderia ter visto. Ela está linda com ele, vestiu super bem, a foto está ótima, proporções certinhas, make e cabelo de acordo com o poder das peças, acessórios idem. A escolha de um look ousado e poderoso também está de acordo com o que ela costuma usar e com a personalidade que ela demonstra. Tudo certo, não fosse o fato de que ela estava usando o look na vida real e não no universo paralelo dos blogs.

A foto do banheiro químico prova que ela estava bastante overdressed para o evento, é só olhar as meninas que estão conversando com ela na foto. Aqui, não é questão de achar a roupa bonita ou feia, não é questão de saber se você usaria ou não. Ela parece fantasiada e isso não é legal nunca – a não ser que essa seja a intenção.

Nesse caso, acho que o principal erro de adequação está nos babados da saia: estruturado demais, trabalhado demais para um evento na praia. A elegância e concordância com o dresscode já estava presente na nobreza do tecido em si. Se você imaginar apenas a saia mais fluida, ainda longa ou midi, dá pra vê-la como parte integrante dos convidados e não como um destaque esquisito. (Mesmo assim, a saia longa fluida seria péssima para casos de banheiro químico. Mas aí eu teria dó e não críticas ;)).

Estar arrumada demais para uma ocasião é dessas coisas que acontecem com todo mundo, é chato e a gente tem que viver com a má escolha por algumas horinhas.

Para que isso não aconteça, é importante tentarmos ter o máximo de informação possível sobre o evento que vamos comparecer. Tanto para não estarmos totalmente desconjuntadas com o quórum, quanto por uma simples questão de conforto. Como usar um banheiro químico com essa saia? Como suportar o calor com tanto pano? Como manter uma make tão carregada em Trancoso? É importante saber se o evento é ao ar livre, se tem gramado, se tem ar condicionado, quem vai, qual é a estrutura. Eu sei que nem sempre dá pra saber, mas é bom tentar.

Deixando conforto e overdressismo de lado… Toda vez que analiso um look com uma foto linda, tento transferí-lo para a vida real. Não só para a ocasião em questão. Tento pensar nele com uma pessoa real usando. Na foto, escolhemos a melhor pose, a posição corporal que mais favorece, tiramos o look de um contexto e colocamos no outro, somos uma imagem estática. “Usar” significa nem sempre estar com a postura perfeita e ser pega em ângulos desfavoráveis. Significa levantar os braços pra abraçar alguém, descer escada, usar banheiro químico, sentar, levantar, dançar. Significa comer, beber, suar. Não estou falando de como a peça de roupa se comporta durante o uso, nesse caso, e sim do quanto pode ser um pouco ridículo estar completamente montada e viver a vida real.