Se vestir é um exercício de autoconhecimento

Esse texto foi originalmente postado (por mim) no Modices.

O provador pode ser um lugar muito catártico.

Sempre que falo de roupa (porque quem sou eu para falar de moda), insisto em dizer que se vestir é um exercício frequente, e às vezes bem duro, de autoconhecimento. Mais do que saber o que cai bem no seu corpo, escolher um look é um movimento de reconhecimento. Porque a gente muda. Muda toda hora de convicções, de opiniões, de valores. Constantemente estamos querendo diferentes coisas de nós mesmas e exigindo diferentes resultados de nossos esforços.

Reconhecer-se na frente do espelho e entender quem é essa mulher hoje é um grande passo para o nosso empoderamento. Entender o que espera de si mesma é importante e é com a nossa roupa que a gente começa a passar essa mensagem para o mundo: “Essa sou eu, do jeito que eu quero ser, do jeito que eu quero que você me veja”. Consegue ver o poder nessa frase? Sim? Pena não ser tão simples.

Ainda entramos em um provador querendo ser mais magras, mais altas, mais bronzeadas. Ainda procuramos nas araras roupas que consertem um pedaço do nosso corpo ou disfarcem uma parte do que somos. Por mais bem resolvidas que sejamos, por mais feministas que nos tornemos, jamais conseguiremos fazer uma escolha (de moda) totalmente livre de julgamentos enraizados em nós por anos e anos de dominação patriarcal. Mas tudo bem, é aos poucos que a gente vai desconstruindo os mitos que criamos sobre nós mesmas.

Esses dias me apaixonei por um vestido que qualquer revista ou “entendida de moda” me aconselharia a não levar. Afinal, coloque-se em seu lugar, Nina, um vestido longo em formato de t-shirt gigante não é para meninas de 1m60. “Você é baixa demais”, “você é pequena demais”, “você é magra de menos” para sair ilesa usando esse vestido. Comprei mesmo assim. Afinal, eu nunca vou deixar de ser pequena e não existe roupa mágica que vai me dar centímetros de pernas. O importante é que vesti a roupa e me reconheci no espelho. Me reconheci como livre.

Anúncios

Deixem Kim em Paz

Há muito sabedoria em quem consegue viver com a total clareza de que o outro não está sob nossa jurisdição. O corpo do outro não é território nosso. Não tem discussão, não é uma questão de opinião. Todos nós deveríamos saber disso. Afinal, você pessoa adulta, provavelmente tem consciência de que o seu corpo não é território de mais ninguém. E, por isso, ninguém deveria ter a pachorra de opinar no que você veste, na cor que você pinta o seu cabelo, no que você pode ou não usar por ser assim ou assado. (Assim como ninguém poderia ter o direito de dizer quem você deve amar ou de te obrigar a ser incubadora de filhos, mas essa é toda uma outra discussão)

Mesmo que a lógica seja muito clara: “Meu corpo, minhas regras. Seu corpo, suas regras” nós ainda temos uma dificuldade imensa de aceitar o que está fora dos nossos padrões. Pior. Temos a tendência de desprezar aquilo que a gente não entende e julgar o diferente como algo ruim. Temos o hábito de desvalorizar as escolhas de outras pessoas simplesmente porque faríamos outras, provavelmente com outras motivações e objetivos.

Não tem nada mais simplório e injusto do que pesar o outro nas nossas próprias escalas.

Kim Kardashian é um exemplo frequente de como temos o hábito de olhar para o outro com quase nada de empatia. Parece que somos incapazes de entender que cada um faz suas escolhas baseado no que viveu e sentiu. Não, não estou falando da sex tape ou do casamento relâmpago, ou da sede pela fama ou do império milionário construído sobre a popularidade indiscutível. Não cabe a mim.

Estou falando sobre moda e sobre o direito que ela (ou qualquer pessoa) deveriam ter de usar o que tiver vontade e de experimentar à vontade. Sim, você também tem o direito de achar que a blusa que ela escolheu é feia (pode guardar as pedras de volta no bolso). Achar uma roupa feia ou bonita é questão de gosto e gosto a gente já sabe.

Mas olha, você está errado (er-ra-do) se disser que ela deveria escolher uma outra blusa porque ela tem o peito grande, ou um outro sapato porque ela é baixinha, ou uma outra cor porque essa a deixa gorda. Quando você diz que ela é vulgar, quando você diz que ela não deveria usar couro porque tem a bunda enorme, quando você diz que ela não deveria usar roupas tão coladas porque não tem corpo de modelo, você não está dando sua opinião, você está sendo escroto.

Não cabe a mim ou a você, ou a ninguém no mundo julgar, desconsiderar e desvalorizar alguém por vestir-se de forma diferente do que você gostaria.

Deixem Kim em paz.

Look do Dia do Dia (8): Sem Acessórios

Outro dia, procurando lá no Pinterest looks para o último Look do Dia do Dia, reparei como foi difícil achar um look sem que a mulher estivesse usando óculos escuros. Comentei ca minha amiga Carla Lemox e ela disse que era tipo de oldest trick in the book para deixar o look com mais interessância, com um quê a mais, com cara de completo (não foi exatamente isso que ela disse, mas foi o que eu interpretei, dá licença, amiga).

E por que, Nina sua linda, você queria looks sem óculos escuros se eles são tão legais e não falam mal de ninguém? Porque eu acredito que alguns acessórios não podem ser a grande chave do visual, principalmente se há grandes possibilidades de que você vá chegar ao destino e tirar o acessório. Lembro bem de um episódio de Sex and the city em que Carrie vai a um chá de bebê e mandam ela tirar os sapatos para entrar no apartamento. A resposta dela é (em tradução livre): “Mas isso é um look (outfit). Se eu soubesse que ficaria sem sapatos, teria compensado com um chapéu grande ou algo do tipo”.

É claro que isso é difícilimo de acontecer na vida real e eu nem considero o sapato como um acessório periférico e sim como uma peça do look. Mas se pensarmos em bolsas, por exemplo, faz muito sentido. Em qualquer lugar que você vá, é bem provável que você deixe a bolsa descansando num canto. Se ela for muito importante para a coordenação do look, você vai perder muito. Certo?

Tudo isso começou a vir na minha cabeça desde que mamain me veio com um problema de vestimenta: o lugar onde ela trabalha proibiu todo e qualquer uso de acessório. Qualquer um, por menor e mais delicado e discreto que fosse. E agora? Como escolher roupas que se sustentassem sozinhas, sem nem um mísero colarzinho? Fomos às compras e escolhemos para ela blusas com estampas fortes, investimos em uma maior variação de cores, demos preferência para o que tinha detalhes extras (aplicações de metal, mangas trabalhadas, botões diferentes), escolhemos tecidos com mais corpo, volume e textura do que habitualmente teríamos escolhido… Enfim, deu trabalho, mas conseguimos montar looks que não precisariam de muito para serem completos.

Mesmo tendo base na solução de um problema, percebi que esse é um truque preciso. Além de ser uma super alternativa para quem não tem muito saco/habilidade de testar milhares de combinações, ou não tem um acervo grande de acessórios, ainda provoca no ~~espectador~~ a sensação de “look lindo sem muito esforço, acordei maravilhosa assim mesmo”.

lddddMICA

lddddBRUNA

lddddKAROL

Recentemente, a Mica Kodama, a Bruna Vieira e a Karol Pinheiro postaram looks quase sem nenhum acessório, e que se sustentaram sozinhos por causa desses aspectos que contei aí em cima e mais. Tudo em um look é informação, como acho que já disse em outros posts. E isso inclui cabelos (coloridos, compridos, com textura, produzidos), maquiagem (batom forte, sombra, esmaltes), contrastes naturais ou não (peleXcabelo, roupaXpele) e até atitude. Esses periféricos todos interferem e acrescentam tanto quanto ou mais que acessórios como colar, chapéu e pulseiras. Percebem?

Breve observação: foi uma coincidência (ou não) bem interessante que quando peguei esse look da Karol para exemplificar o post, percebi que ela mesmo tinha dito no texto que há muito tempo não usava um look sem acessório algum, e que uma amiga disse que era “hype na gringa”. Melhor ainda, né? Simplificar a vida é uma delícia.

Guia de Novas Marcas para Amar

Ainda não contei aqui, mas meu mais novo empreendimento é esse blog aqui, o Deep Fried Chicks. Por lá, me juntei à minha Liv Brandão para falar sobre a nossa paixão em comum: comida. Hoje, estava escrevendo um post (lê bonitinho lá na sexta-feira, tá?) sobre eventos gastronômicos que vão rolar aqui no Rio e percebi que eles têm uma coisa em comum muito importante. Os três têm como conceito e objetivo a valorização de produtores e criadores locais – tanto na área de gastronomia, quanto em arte e design.

Durante meu curso no FIT, ouvi diversas vezes dos professores de marketing, branding e forecasting que o mundo da moda estava tendendo para a revalorização de marcas menores, mais artesanais, de produção local e com número de peças limitadas. As causas são muitas, as consequências outras tantas.

A valorização do produto local (do seu bairro, da sua cidade, do seu país) promove, além de preços mais justos, uma relação pessoal e intransferível com a marca. Em um momento que estamos cada vez mais individuais, marcas menores e mais exclusivas podem nos oferecer tudo o que as marcas gigantes não conseguem: atendimento e atenção especiais, melhor compreensão dos desejos pessoais, um timing quase perfeito das tendências, a sensação de que estamos diretamente participando do crescimento de alguém e a beleza da descoberta. É uma relação parecida com a dos indies e suas bandas, uma delícia.

Isso tudo só é possível graças à ela, à lindíssima internet, que permite que pequenos criadores de moda divulguem e vendam seus produtos sem gastar rios de dinheiro em uma loja física ou um catálogo impresso. Pra quem já perdeu o preconceito de comprar online e está afim de conhecer marcas novas, lindas e que fogem bem do que vemos nos shoppings, é um prato cheio – transbordante.

Essas são as minhas mais novas marcas para amar:

Parco Design

Parco Design


A relação com a Parco foi de paixão à primeira vista. São aneis, pulseiras, colares, brincos e calçados (masculinos e femininos!!) lindíssimos, moderninhos, com poder e delicadeza. Um amor só.

Lâle

Lâle


A Lâle é a marca de duas cariocas que se conheceram na faculdade de moda. Essa é uma história que acontece com muita frequência aqui no Rio, mas pouca coisa realmente vinga. Pra mim, a marca tem muito a oferecer e crescer (sem perder o charme de ser “joia local”). Comprei a saia de elefantinho da foto e tenho vontade de usar só o tempo todo.

Benta Studio

Benta Studio


A Benta Studio é apaixonante. As estampas (criadas por eles), a modelagem, as fotos, o conceito… Tudo me ganhou de cara. Eu dei azar e comprei uma peça esgotada (que não estava sinalizado por um erro comum de sistema). Mas lembra do que eu falei lá em cima? O atendimento pessoal faz toda a diferença nessas horas. Continuo apaixonada pela marca, programando a próxima compra.

Bazis

Bazis


A Bazis eu conheci quando trabalhei para a Babilônia Feira Hype e amei. É A marca da menina carioca, na minha opinião. Descolada, moderninha, com um quê de farmete, mas com um ar de novidade. O clima da marca é delicioso e pensado pra te fazer feliz. Sério.

Oh K!

Oh K!


Descobri a Oh K! e quase não consegui acreditar que pudesse existir uma marca que capturasse tão bem o meu mood do momento. Ainda não comprei nada nela simplesmente porque não consegui escolher uma coisa só – entre quadros e camisetas – e como tenho comprado cada vez menos e mais consciente ficou pra depois. Mas o desejo é grande.

Pelican Fly

Pelican Fly


Pelican Fly
Ainda não comprei nada nela, por motivos de: meu dinheiro acabou em janeiro. Mas essas aí são as (também) minhas prováveis próximas compras.

Se você conhece marcas de moda desse tipo aí que eu falei, me conta aqui nos comentários? ;)

Look do Dia do Dia: O Retorno

Oficialmente, retorno aos deveres do Look do Dia do Dia. É a segunda tentativa de retorno desse exercício que eu tanto adoro e que eu tinha deixado de lado por incontáveis motivos – que vou acabar explicando aos poucos, enquanto retomo os posts.

Na primeira tentativa, eu disse isso aqui: “Antigamente, eu tinha esse outro blog, o Look do Dia do Dia. Lá eu fazia uma análise dos looks das blogueiras, gostando ou não. (…) Mas agora, que meu curso de Image Consulting está terminando aqui em NY, vou voltar a fazer as análises como exercício.”

Já faz um pouco mais de um ano que voltei ao Brasil e nada de cumprir minha promessa comigo mesma. Está na hora, certo? ;) Agora, me organizei bonitinha e minhas três ou quatro leitoras podem acompanhar o LDDDD direto da categoria dele. Por lá, coloquei alguns posts antigos do blog falecido, para quem quiser ver.

Daqui a pouco já tem post novo, mas antes não posso deixar de fazer dois comentários sobre consultoria de imagem e as análises de look do dia:

REGRAS EXISTEM PARA SEREM QUEBRADAS
Pra mim, e indo contra boa parte das aulas que eu tive a respeito, as regras existem para serem quebradas. Entender o próprio corpo é um bom truque para se vestir bem. Porém, a maior ferramenta que você pode usar é sua percepção sobre si mesma e a seu conceito de beleza. Pra mim, vale tudo contanto que te faça feliz. Roupas são um recurso incrível para mostrar ao mundo quem você é, e no fim quem define o que vai bem em você, é você. Aqui nesse blog, as regras impostas pela literatura da consultoria de imagem são apenas linhas-guia, e a gente pode colorir fora delas.

A ÚNICA REGRA QUE NÃO PODE SER QUEBRADA
Pra mim, não existe “não pode”. Idade, tipo de corpo, altura, cor da pele, do cabelo e posição social não limitadores e não devem ser nunca. O único aspecto limitador é o dresscode, e portanto a única regra que não deve ser quebrada. Respeitar o dresscode do trabalho, do evento e seja lá do que mais, é gentil e elegante. E mesmo dentro de um código de vestimenta, dá para brincar bastante.

Bora?

Para queimar os sutiãs

Disclaimer: Apesar do título, esse post não tem nada de feminista per se.

Há alguns meses, vinha sentindo que minhas roupas não me vestiam mais de forma que me agradasse. Tinha alguma coisa errada. Podia ser comigo e com os kgs a mais que eu estou tão não-orgulhosamente cultivando. Podiam ser as roupas, já que vez em quando eu me canso delas de sobremaneira e elas simplesmente #nãomerepresentam. Podia ser a TPM. Podia ser mercúrio retrógrado. Não era.

Levei um tempo e, muita insatisfação depois, descobri que o problema estava no sutiã. Não no sujeito como objeto de vestimenta, eram especificamente os meus sutiãs. Há anos já havia aposentado meus sutiãs de alça, achando que esse era o core do problema. Fiquei um tempo bastante satisfeita com a coleção de tomaraquecaia (seja lá qual for o plural dessa palavra), mas enfim eles já não eram mais bem-vindos no meu corpo ou no meu armário ou por debaixo das minhas blusas.

“Que coisa horrorosa” – era o que eu pensava quando me olhava no espelho, com roupa ou só de lingerie. Tentei trazer de volta à vida meus sutiãs de alça e “meu deus do céu ainda não é isso que que tá havendo nesse armário acho que são as roupas não são as roupas esse sutiã não tá certo vou comprar um novo que mais que tem aqui nesse armário?”. Sabe?

No armário tinham dois, leia-se dois, sutiãs diferentes. Diferentes dos outros seis ou sete. Eles eram sem aquele bojo grosso, sem aquele formato que quando você tira o sutiã o peito parece que continua lá, sem push-up, sem potenciais ilusões de um silicone imaginário. Eles eram… normais. Vesti e (insira aqui uma imagem de iluminação divina).

Minhas roupas voltaram ao normal, voltei a me sentir feminina de sutiã, comprei mais alguns do mesmo estilo, passei o conhecimento para minhas irmãs que não só me apoiaram como também baniram os sutiãs-bola – é assim que eu vou chamar – das suas vidas.

Porque assim, e aqui vem o papo feminista que eu prometi que não tinha no post, quem teve a ideia estúpida de padronizar nossos peitos? Nossos peitos, gente. As pessoas realmente acham bonito todo mundo andar com o mesmo formato de peito da rua? Como se a única variação existente fosse pequeno, grande e médio? Imagino que deva existir mais variedade de peito do que de nariz por aí.

É engraçado ver que tem muita mulher que se orgulha dos seios naturais, sem silicone, mas nem percebe que todo dia veste uma armadura que repudia o formato natural dos peitos. Prefiro o silicone. Aliás, prefiro tudo o que me faz (te faz, nos faz) sentir mais bonita – e se isso é o sutiã bola, tudo bem.

Só acho existe um reflexão que toda mulher deveria fazer sempre, antes de qualquer escolha: é isso que eu acho mais bonito ou é o que o mundo me disse ser o mais adequado?

Forever 21 no Brasil: O que muda pra gente?

Fato: A Forever 21 chegou no país.

Fato II: Chegou com preços surpreendentemente baixos (sendo o mais alto R$109).

~pausa para dancinha~

Mas o que isso muda pra gente?

Para o mercado de moda, a gente pode esperar um baque enorme. Afinal, nenhuma marca de moda interessante e mainstream hoje pratica preços competitivos com uma forever xxi no mercado. A minha previsão é que algumas marcas aumentarão bem o preço para se posicionarem como luxo/semi-luxo, as espertas (finalmente) investirão em fortalecimento da marca e fidelização do cliente e as desesperadas morrerão. Podem aguardar o falecimento e inevitável falência de algumas conhecidas por aí.

Mas não é sobre o impacto no mercado de moda que eu quero falar. – Para isso aguardo análises dos especialistas.

Estive pensando sobre o que vai acontecer com nosso comportamento de compra, nossa forma de escolher, de pensar no orçamento… Como vai mudar o nosso olhar, tanto para a moda quanto para a roupa em si? Confesso que quase não coloquei esse ponto de interrogação no final da frase. Porque eu sinceramente acho que a nossa relação com a compra de roupas vai mudar.

Eu acho que a primeira mudança é a de comportamento de compra na própria Forever 21. Todas compramos lá, seja em viagens, seja imaginariamente no site (vocês não fazem isso? Eu faço). A questão é que, numa viagem, a gente tem um dinheiro que está ali para ser gasto e pouco tempo para gastar. Ou seja, o comportamento brasileiro na F21 é, por falta de palavra melhor, enfurecido. A ideia é comprar volume e gastar pouco. Experimentar e analisar (e re-analisar) é para quem tem muita paciência. Afinal, quando é que vamos ter a chance de comprar uma calça jeans por $20 novamente?

Mas e agora? E agora que o jeans vai estar lá eternamente disponível por R$89 (é isso mesmo)?

Conto a minha experiência de morar numa cidade com F21: Eu tinha muita preguiça de entrar lá, mesmo. Mas toda vez que precisava ou queria comprar alguma coisa específica, de calça jeans à blusa para sair, eu dava uma passadinha lá primeiro, para olhar. Muitas vezes, só olhei e decidi fazer um investimento maior e comprar em outro lugar. Outras, acabei comprando uma outra coisa que achei linda. Algumas vezes, entrei lá para fazer hora e comprei uma bijoux de $2 ou $3. Inclusive, bijoux junto com moletom e pijama só comprei lá. Tudo que me parecia de “modinha” ou que eu não tinha certeza se ia curtir usar, eu comprava lá, como uma beanie.

Na minha opinião, depois que passar o frenesi da época de abertura, vamos agir assim: entrar lá, não achar nada super-demais-lindo, comprar uma camiseta divertida ou um-short-jeans-porque-mais-um-nunca-é-demais, e pronto. Aquele vestido para aquela festa, a gente vai investir mais um tico e vai em outra loja. Isso eu ACHO.

Mas eu acho isso porque acho que vamos pensar duas vezes se vale mesmo dar R$80 naquele vestidinho que todo mundo vai saber que é F21. Porque a verdade é que vamos perder aquele orgulhinho de dizer “Esse vestido de festa incrível que parece que custou R$1000? É F21, menina, foi $28”. Todo mundo vai ter essa oportunidade, basta ter olhar e um mínimo de paciência.

Já nos escritórios acho que vai bombar menina vestida igual. A F21 faz uma linha de roupas que a gente não encontra(va) aqui: roupas sociais, arrumadas e que vão além da camisa de botão e da calça social preta/cinza. E aí, gente, vai parecer Ipanema no auge do verão pós-lançamento de alto verão da Farm, só que edição formal wear. Mas também acho que só durante um tempo…

Acho que vamos finalmente aprender onde devemos investir um pouco mais e onde devemos investir bem menos. Falo das peças em si e das ocasiões em que usamos também. Já usei vestido F21 para casamento porque né, quem iria saber? Agora todos vão saber que você só investiu R$60 naquela ocasião e não, não é legal.

Ao mesmo tempo, vamos finalmente poder brincar de hi-lo, testar (e errar) com novas tendências, experimentar novos estilos, ter ao nosso alcance opções mais baratas exatamente iguais as que vemos hoje nas marcas médias… Mundo novo. E nem me venha dizer que dá para fazer isso nas lojas de departamento brasileiras, porque sinceramente, viu? É outro conceito, outra estrutura, outro público. Elas que se cuidem.

Estou ansiosa. Não para inauguração, que acontece dia 22 aqui no Rio e hoje em SP. Mas para os próximos meses, pra mudança no mercado e no nosso jeito de olhar a moda.