Sobre amor e simplicidade

Love is simple as fuck.

Escrever sobre amor em português talvez seja uma das tarefas mais penosas que há. Racionalmente, acredito que despir o emocional em outra língua seja mais fácil, é quase como terceirizar o sentimento. Talvez isso seja só coisa minha, que tenho incontáveis referências do amor em língua inglesa. Não que as referências não existam em português, é que inglês é uma língua tão simples e trivial quanto o amor em si.

Love is simple as fuck.

E a gente deveria parar de tentar escrever tratados sobre o amor. Deveria parar de construir incansáveis analogias para explicar (pra quem?) como deve se sentir aquele que sente o amor. Nada mais frustrante do que ouvir toda a vida que o amor é algo que dói no peito, mas nunca sentir tal dor. Que ele é cego, mas ter certeza que ama sem deixar de enxergar perfeitamente o outro. Que o amor é mais forte e supera tudo, mas que às vezes é preciso ser forte e superar o amor.

O amor não é o que a gente lê e ouve. Love is simple as fuck.

O amor é o que te faz ter raiva do outro e mesmo assim sentir saudades. Mas o amor não te impede de ter raiva e também não garante que você sinta saudades. Amor é o que faz que os opostos dentro de você mesmo se atraiam, e que você queira que o outro suma da sua frente mas não vá embora.

Amor não te faz ver a vida de forma diferente. Amor não te faz crescer. Amor não te ensina a viver. Pessoas fazem isso. Pessoas que a gente nem conhece podem mudar nossa forma de enxergar o mundo. Pessoas que amamos podem ter nenhuma ou pouca influência na gente. Pessoas são complexas. Amor é simples.

Love ends. Love has limits. Love happens. Love is different for each. Love is more than just one thing. But it’s simple. Simple as fuck.

Quando é amor, é simples. Amor é mão dada quando dá vontade. É beijo quando dá vontade. É sorriso quando dá vontade. É choro quando dá vontade.
Amor é à vontade. É conforto e paz, mesmo na impaciência. É o espaço que não existe e o espaço que precisa existir. É não precisar do outro, mas querer mesmo assim.

Não precisa ser difícil, não precisa ser penoso, não precisa enfrentar o mundo. Quando é amor, é simples. Amor é a companhia até a esquina just because, é a carona de madrugada just because, é deixar o último biscoito do pacote para o outro just because. Amor é o seu prazer em fazer cafuné no outro.

Love is simple as fuck.
E a gente, realmente, deveria parar de tentar escrever sobre ele.

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Do Avesso

Minha avó me ensinou que quando vamos comprar uma roupa cara, é importante virá-la do avesso para ver o acabamento.

O que ela não me disse foi que é bom lembrar de fazer isso com a vida de vez em quando. Virar a vida do avesso antes de seguir em frente. Ver se as costuras estão no lugar, se a linha é de qualidade, se o tecido aguenta o tempo de uso, se precisa de um reforço aqui ou ali.

Mas eu acho que o importante mesmo é saber quando desfazer uma costura. Ou até cortar fora um pedaço. E voltar um pouco atrás. De repente, colocar uns botões novos. Tentar uns bordados.

Sentir a vida sem remendo.

Minha Irritação com Friends

Então, aqui nos EUA, a Nickelodeon exibe na sua programação noturna vários episódios seguidos de Friends. Parece que há algo de errado com a afirmação, mas é isso mesmo: Friends na Nickelodeon. Aparentemente, Friends é hoje um sitcom ~adolescente~?

Voltando um pouco no tempo… Friends sempre foi minha série favorita na vida, e olha que minha “cartela” de séries é imensa. De repente, eu conheci How I Met Your Mother e tudo mudou. Já assisti todas as temporadas (and counting…) e re-assisti quase todos os episódios mais de uma vez.

No Brasil, eu e marido temos o hábito de assistir Friends todos os dias antes de dormir – passa 1am na Warner. Até que Friends começou a realmente me irritar, sem que eu conseguisse entender o porquê. Naturalmente, passei a assistir HIMYM no lugar de Friends todos os dias (thanks, Fox).

É impossível não comparar as duas séries, sorry.

Quando eu tinha 13/14 anos e comecei a assistir Friends, olhava para os personagens e pensava que com 23 anos (e depois com 30 e depois com 33) a minha vida deveria ter aquele ritmo/configuração. Foi outro dia que, assistindo ao episódio The One They All Turn 30, eu vi que não era nada daquilo. E aí eu entendi minha irritação – e toda a razão de HIMYM ter roubado o lugar de Friends no meu coração. Rachel, Ross e os outros não são da minha geração, eles têm outras histórias, outras ambições, outras formas de se divertir. Eles se encontram no café, gente.

Quem se encontra no bar? Ted, Marshall, Lilly, Barney e Robin.

O segundo ponto de irritação, e talvez o mais “grave”, é a falta de fluxo contínuo nas histórias de Friends. Depois de assistir (e, repito, re-assistir) HIMYM, é difícil não se aborrecer com os furos de roteiro de Friends. Era uma outra época de sitcoms, sem dúvida, com outro público e acho que a storyline não era tão importante. Eu entendo isso. Mas eu sou da geração HIMYM.

Em Friends, toda história é superficial, storylines são totalmente abandonadas, personagens que parecem importantes não aparecem nunca mais (os pais da Phoebe, por exemplo), faltam cenas reais da faixa etária como álcool, sexo, drogas, relação com os pais, problemas no trabalho… Ou seja, como todo fã de HIMYM sabe, o oposto da nossa série favorita.

No fim, Friends é infanto-juvenil, como bem percebeu a Nickelodeon. Uma delícia de assistir, ainda sei os diálogos de cór, ainda sou apegada a todos eles. Mas sem dúvida, perdi o impulso de procurar me identificar com os personagens. Não sou mais a Rachel. Sou a Robin (né, Liv? ;)).

Dica de Viagem para os EUA

Esse post, obviamente, não é com dicas de viagem propriamente ditas. Há um tempo escrevi um post sobre o ato de dar dicas, você pode ler aqui.

Estou em NY, no Chelsea, afastada do turismo per se e, consequentemente, afastada das hordas de brasileiros fazendo compras. Porque, né, é isso mesmo que a maioria dos brasileiros tem como objetivo em viagens curtas para os EUA. Sim, brasileiros visitam os museus. Sim, vão a novos restaurantes/shows/bares. Mas é só ver o rush de felicidade de um brasileiro em um outlet para entender exatamente o que ele foi fazer ali.

E o que tem de ruim nisso? Nada.

Mas a minha dica de viagem é “stop and smell the flowers” no momento das compras.

Brasileiros chegam aos EUA sedentos para comprar e… acabam todos comprando as mesmas coisas! Whaaaat? Já saem das suas cidades natal com listas prontinhas do que DEVEM comprar, ficam loucos atrás dos itens listados e nem olham pro lado. Experimentar um produto que não é badalado? Nem pensar! Comprar uma marca desconhecida, então, que horror! Pagar mais de $50 em um artigo sem o brasão/logo de uma marca? Péssimo negócio.

Gente, não.

Aqui no Chelsea não vi nenhum companheiro de pátria. Mas quando subi para Midtown, eles eram quase maioria. Entrei em duas farmácias (fui comprar um antialérgico e não tinha na primeira que entrei) e vi duas meninas brasileiras fazendo estoque de, entre outras coisas, máscaras de cílios Maybelline. Fiquei por perto para ouvir a conversa (e por isso acabei levando umas coisas que não estavam nos meus planos – risos).

macysmadness

A mais alta falou pra a mais baixa que uma amiga tinha dito que eram os melhores “rímeis” que existiam. Então, ela estava levando um de cada. A mais baixa resolveu que levaria também, afinal eram baratos. As duas “ostentavam” sacolas imensas e cheíssimas da Forever 21, junto com  suas LV speedy. Olhei as cestas de compras e ambas levavam apenas produtos conhecidos e comentados pelo Brasil.

E aí eu te pergunto: por que não tentar experimentar outros produtos? Dicas de amiga são ótimas, eu dou para as minhas e confio nas que elas me dão. Mas gente, pega um rímel da maybelline e um da, sei lá, covergirl e compara. É tudo barato mesmo. Quer experimentar o Aussie 3 minutes, ótimo, mas ao invés de pegar 3, pega 1 e experimenta um outro novo. Que tal? Garanto que a experiência de compra fica muito mais divertida.

lojasnovas

A mesma coisa vale pras fast fashion. Não deixe de comprar nelas, tem ótimos achados. Mas eu evitaria gastar $500 em compras na Forever 21 ou na H&M. Que tal conhecer lojas novas e gastar um pouco mais em um item que ninguém vai ter igual? Se você topar e estiver em NY, eu sugiro reservar umas horas de compras para andar na 5a avenida, depois do Flatiron, começando da 23rd e descendo. Aí você vai conhecer a Madewell (amor verdadeiro, amor eterno), a Joe Fresh, a C Wonder, a Athropologie…

Na minha opinião, é bem mais legal do que se amontoar na Macy’s para comprar Tommy Hilfiger a preço de banana, ou ficar na fila da Abercrombie para comprar as camisetas-uniforme. Brigar pra pagar $2mil na bolsa da moda? Saiba que as bolsas DVF custam em média $800 – já olhou pra elas?

Os Piores Comentaristas de Instagram

Um monte de gente já deu seus dois centavos de opinião a respeito do instagram e, principalmente, dos piores tipos que por lá postam. Sejam os que postam fotos de comida, fotos de vida saudável, fotos de gato, fotos de si mesma sendo linda… (Sou culpada em todos os quesitos, btw). Nada disso me incomoda.

O que me deixa irritadíssima mesmo são os leitores de instagram. Cabe dizer aqui que, como produtora de conteúdo, faço perfis de instagram para alguns clientes e isso me torna mais sensível a certos tipos de comportamento.

Listarei os comentaristas de Instagram que mais odeio, para sua apreciação, divididos por categorias por mim inventadas.

instagram

Instagram, essa grande feira livre e seus tipos
O vendedor: Aquele que insistentemente deixa mensagens no instagram alheio avisando que COMPRAS DIRETAMENTE DOS EUA NO MEU INSTAGRAM BOLSAS IMPORTADAS. Isso é spam, galera. Mas pior do que isso são os que fingem não ser spam: “Oi linda! Adorei. COMPRAS DIRETAMENTE DOS EUA NO MEU INSTAGRAM BOLSAS IMPORTADAS”. Não.
O comprador: Entende o instagram como um grande bazar virtual e que, toda e qualquer foto é uma compra em potencial. Na foto do look da blogueira pergunta onde comprar uma calça igual. Na foto de um cachorro, pergunta onde a pessoa comprou o cão e quanto pagou. Na foto do bebezinho, pergunta como consegue comprar um sapatinho igual.
O mal educado egocêntrico: Aquele que acha que as fotos postadas no Instagram são para que ele analise e resolva se quer ou não comprar aquele produto. É o insuportável que comenta “Qnt?” em qualquer foto, como se ela tivesse sido colocada ali para que ele faça uma oferta.

O mundo só tem um centro, no caso, eu.
Sou Foda: “Me segue”. A pessoa que deixa esse comentário na foto de outrem deve ter um opinião muito abastada de si. Aparentemente, ela é tão incrível que nem precisa explicar por quê você precisa segui-la.
Me serve, vadia: “Oi, gostaria que você me enviasse dicas de vestido para casamentos de dia”. Porque o dono daquele perfil no Instagram vive para servir aos seus apelos. No Instagram das marcas tem muitos desses comentários e alguns como “Mande preço e informações sobre essa peça para meu email”. Ah, é? Cafezinho, também?

Ah, esses altruístas.
Guia de Viagem: Você está viajando e posta uma foto, vamussupô, da janela do hotel. Aí, lá vem o guia de viagem do instagram falar “Tá em Salvador? Então não pode deixar de comer no restaurante X, ir no mercado Y, no museu Z e no final, dar uma passadinha na rua 123”. Gente, e a pessoa pediu opinião? Tem a variação “Crítico de Restaurante” que faz a mesma coisa, exigindo que você coma um prato específico porque é o melhor.
O que só quer ajudar: Esse tipo existe na vida offline também. Você tá lá postando foto malhando. Vem a pessoa e “Eu acho esse short de ginástica horrível. Use outro.” Ah, obrigada desconhecido, não sei o que faria sem você.

Espaço público
Conversadores: Fazem chat no perfil alheio. Acho uma das maiores faltas de educação que existem. Hoje mesmo li um que começou com um comentarista para outro “Fulano, que bom que encontrar por aqui”. Um horror.
Briguentos: Assim como tem os que conversam no perfil alheio, tem os que brigam entre si. “Achei feio” “Cala a boca” “Cala a boca você, ele é feio” “Você é que é”. E eu só me pergunto POR QUE MEU DEUS?

Esse post estará eternamente em construção.

Sobre Espaço Privado na Web

Disclaimer: Minha intenção não é discutir casos específicos, gente que ataca o outro sem nenhuma razão aparente e, muito menos, para analisar o que é crítica construtiva e quem está disposto a aceitá-la. Nada disso. Isso é outra história.

Por trabalho e por pura diversão, acompanho os mais diferentes blogs, perfis do twitter e do instagram. Há algumas semanas, começou a me chamar a atenção o comportamento dos donos desses espaços na web, clamando por respeito a seu espaço pessoal. E, há algumas semanas, não paro de pensar a respeito da sensação de espaço privado na internet.

O comportamento que tenho visto se repetir, nessas três redes, é o seguinte: a pessoa posta uma foto no instagram, alguém comenta que achou ruim/feio/podre, a pessoa vai lá e bloqueia. Ou, o blogueiro faz um post, recebe um comentário criticando (de forma maldosa ou não) e responde dizendo que se a pessoa não gostou, está convidada a se retirar do blog. O que acontece? O dono do perfil ou do blog se sente invadido? Parece que sim. Afinal, o seu perfil é seu espaço pessoal.

Mas é mesmo? Imaginando uma situação hipotética e absurda: Eu chego na varanda da minha casa, grito que odeio cachorro porque eles fazem cocô na rua. Minha vizinha da frente é a única que consegue ouvir, mas conta pra vizinha de trás que eu gritei isso na varanda. A vizinha de trás bate na minha porta e diz: “Eu não gostei do que você falou, acho que você é ignorante”. Eu tenho o direito de me sentir invadida? De achar que meu espaço privado foi atacado?

Porque é assim que eu imagino quando a gente declara qualquer coisa na internet. Que estamos falando para alguém ouvir, que pode não gostar e contestar e brigar e atacar. E aí você defende com unhas e dentes um espaço que lhe parece privado. É como pedir para todos os seus conhecidos te mandarem uma carta, anônima ou não, dizendo o que acharam da sua roupa na última festa. E quando alguém mandar a carta, anônima, dizendo que você estava horrorosa, você vai achar um absurdo a pessoa ter se dado o trabalho de escrever alguma coisa só pra falar mal de você.

Acho que abrir o espaço pessoal é arcar com as consequências da exposição. É uma escolha que a pessoa faz. Não acho necessariamente que os espaços pessoais, e aí entram os perfis online, devam ser democráticos. Acredito muito no “Minha casa, Minhas regras”. Mas se você abre sua casa para desconhecidos, sabe que vai ter consequências. Não dá pra ficar surpreso quando isso acontece no seu perfilzinho do instagram, certo? Não dá pra sentir que aquele espaço é privado, principalmente quando você ganha dinheiro com a própria exposição.

Qual é a credibilidade dos que se sentem invadidos na web, mas são incapazes de fechar o perfil?

Quem é você em Girls?

Ninguém. Espero que essa seja sua resposta também.

Minha amiga querida amada Liv postou em seu feice que não entendia porque pessoas legais insistiam em se dizer iguais à personagem de Lena Dunham, Hannah. Foi a maior confusão, virou uma discussão imensa. Eu discordei da Liv, fui no gtalk conversar e depois entendi. Entendi e concordei.

Girls hoje é uma das minhas séries preferidas. Adoro a forma como a história é contada e como ela é quase surrealista em toda sua normalidade. Aquelas personagens, as quatro meninas, são espelho dos nossos piores defeitos, do nosso lado mais mimado, mais intolerante e egoísta. Se identificar com elas é um processo quase libertador.
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Quando Liv me disse que “eu acho estranho dizer que se acha igual a um personagem mimado, egoísta e que se acha um presente de deus pra humanidade”, eu pensei “Putz, e agora? Eu me identifico com elas em vários momentos”. Então, eu entendi: não é legal dizer isso. E não é mesmo.

Muitas vezes, ver seus defeitos e seus erros expostos na televisão (ou em livros) é uma experiência muito íntima. Às vezes, sua história precisa ser contada por outro, vivida por outro, para que você saiba o que fazer a partir dali. É assim que eu sinto Girls (e assim que sinto muitas outras histórias e vários outros formatos que passam pela minha vida).

Mas parem de dizer que Girls é a “voz da minha geração”. Não é. Não quero que me vejam ali, ou que vejam minhas amigas ali. Elas são tudo o que a gente luta internamente para não ser. A “voz da geração” é aquela que externaliza o que todo um grupo tem vontade de dizer, como ele quer ser visto e entendido. E não queremos ser vistas no nosso pior, não queremos dizer nada daquilo. Girls é incrível porque é tudo o que a gente gostaria de esconder ou tudo que a gente já errou e aprendeu.

Respondendo à Liv, acho que as pessoas se dizem “iguais” a um personagem como Hannah porque veem nela um aval para ser daquela forma. “Se ela pode, eu também posso e ninguém pode se incomodar”. Mas no fundo, seria melhor que todas se identificassem com Lena Dunham – gênia da nossa geração.