Deixem Kim em Paz

Há muito sabedoria em quem consegue viver com a total clareza de que o outro não está sob nossa jurisdição. O corpo do outro não é território nosso. Não tem discussão, não é uma questão de opinião. Todos nós deveríamos saber disso. Afinal, você pessoa adulta, provavelmente tem consciência de que o seu corpo não é território de mais ninguém. E, por isso, ninguém deveria ter a pachorra de opinar no que você veste, na cor que você pinta o seu cabelo, no que você pode ou não usar por ser assim ou assado. (Assim como ninguém poderia ter o direito de dizer quem você deve amar ou de te obrigar a ser incubadora de filhos, mas essa é toda uma outra discussão)

Mesmo que a lógica seja muito clara: “Meu corpo, minhas regras. Seu corpo, suas regras” nós ainda temos uma dificuldade imensa de aceitar o que está fora dos nossos padrões. Pior. Temos a tendência de desprezar aquilo que a gente não entende e julgar o diferente como algo ruim. Temos o hábito de desvalorizar as escolhas de outras pessoas simplesmente porque faríamos outras, provavelmente com outras motivações e objetivos.

Não tem nada mais simplório e injusto do que pesar o outro nas nossas próprias escalas.

Kim Kardashian é um exemplo frequente de como temos o hábito de olhar para o outro com quase nada de empatia. Parece que somos incapazes de entender que cada um faz suas escolhas baseado no que viveu e sentiu. Não, não estou falando da sex tape ou do casamento relâmpago, ou da sede pela fama ou do império milionário construído sobre a popularidade indiscutível. Não cabe a mim.

Estou falando sobre moda e sobre o direito que ela (ou qualquer pessoa) deveriam ter de usar o que tiver vontade e de experimentar à vontade. Sim, você também tem o direito de achar que a blusa que ela escolheu é feia (pode guardar as pedras de volta no bolso). Achar uma roupa feia ou bonita é questão de gosto e gosto a gente já sabe.

Mas olha, você está errado (er-ra-do) se disser que ela deveria escolher uma outra blusa porque ela tem o peito grande, ou um outro sapato porque ela é baixinha, ou uma outra cor porque essa a deixa gorda. Quando você diz que ela é vulgar, quando você diz que ela não deveria usar couro porque tem a bunda enorme, quando você diz que ela não deveria usar roupas tão coladas porque não tem corpo de modelo, você não está dando sua opinião, você está sendo escroto.

Não cabe a mim ou a você, ou a ninguém no mundo julgar, desconsiderar e desvalorizar alguém por vestir-se de forma diferente do que você gostaria.

Deixem Kim em paz.

A perversão da selfie não selfie

Está cheio de textão por aí berrando aos quatro ventos para que não acreditemos na felicidade compartilhada nas redes sociais. “Ninguém é tão feliz assim”, dizem o que eu já sei, e você também. Tudo bem. Eu entendo que repetir para nós mesmos que a vida do outro não é tão perfeita quanto parece é uma estratégia de proteção. É o que precisamos fazer para não achar nosso dia a dia sem graça, para não pensar que o mundo inteiro goza dos prazeres da vida à cada esquina enquanto estamos em casa comendo lasanha congelada e assistindo pela 10a vez o mesmo episódio de Friends.

Mas nada disso me surpreende. Há centenas de anos a gente usa fotos nossas para exibir pro mundo (em diferentes escalas) o quanto nossa vida é maneirona. Então, deixa a felicidade dozotro pra lá e vem comigo discutir algo muito mais intrigante.

Que mania é essa que as pessoas têm em postar fotos de si que parecem tiradas de forma espontânea por outro? O que leva alguém a te entregar uma câmera e dizer: “tira uma foto minha de costas aproveitando o momento”? Que tipo de perversão faz com que você eleja um fotógrafo para se comportar como um falso admirador, que não aguentou te ver mexendo nos cabelos ou dançando e teve que registrar o momento? Isso só pode ser um fetiche.

A verdade é que gente posta foto nossa, sendo linda e maquiada, pra que nossos amigos (e talvez uma meia dúzia de desconhecidos) cliquem no botãozinho como se dissessem: “considere-se admirado”. Legal. É legal ser admirado e é isso que a gente quer, uma massagenzinha no ego não faz mal a ninguém. Mas os likes não bastam? Ou você acha que é pedante demais dizer “olha pra mim que hoje eu estou me achando bonita” e prefere criar uma falsa narrativa na qual você é o personagem observado?

É como pedir para alguém dizer a um terceiro o quanto você é incrível e ficar feliz com o elogio recebido. É como se você redigisse sua biografia não autorizada e mandasse alguém assinar.

É como falar de si mesmo na terceira pessoa. E todo mundo sabe o quanto isso é insuportável.

Por um dia 8 de março mais responsável

A minha relação com o dia internacional da mulher é sempre dividida. Por um lado, eu acho que é um dia para simbolizar, reforçar e valorizar a luta contra as mazelas do patriarcado. É um dia que nós feministas podemos usar para chamar ainda mais atenção às questões que discutimos diariamente e para colocar em pauta pública o que passamos o ano inteiro dizendo que “precisamos conversar a respeito”.

Por outro lado, eu preferiria passar o dia 8 de março trancada em casa, com tevê desligada e bem longe da internet. Porque eu tenho vontade de chorar de raiva e meu estômago se contorce (mesmo) quando vejo mercados e indústrias usarem essa data para reforçar estereótipos e clichês sobre o feminino. Estereótipos esses que passamos os outros 364 dias do ano lutando contra, fazendo trabalho de formiguinha, educando homens e mulheres a nos olhar de outra forma. É um desserviço.

pqp, Fast Shop

pqp, Fast Shop

Basta cinco minutos no Facebook durante essa semana, para perceber que ainda estamos muito longe de sermos entendidas além do papel que a sociedade nos impõe. Veja a página 8 de março da depressão e se assuste.

Em geral, a forma como a indústria comercial usa o dia 8 de março é, no mínimo, irresponsável. E toda suposta homenagem, recebida e postada, acaba por mascarar todo do real propósito do dia.

São incontáveis campanhas, marcas e produtos que ao “exaltar” as mulheres acabam reforçando que somos todas iguais e que, unicamente por termos nascido com uma vagina somos ou devemos ser o que quer que seja. É no mínimo bizarro que em 2015 ainda tenhamos que dizer: “Não, nem todas queremos ser ou somos mães, nem todas gostam de chocolate, nem todas têm o sonho de achar um príncipe e casar, nem todas somos delicadas, nem todas somos fortes guerreiras, nem todas somos sexy, nem todas gostam de fazer compras, nem todas dão pitizinho na TPM, nem todas são ciumentas, nem todas falam mal da amiga…”

pqp, Use Huck

pqp, Use Huck

Como falei no meu primeiro post do ano e volto a repetir aqui:

– Nenhuma mulher tem a obrigação de ser ou fazer qualquer coisa simplesmente pelo fato de ser mulher. Nenhuma mulher precisa ser mãe, ou usar saia, ou ser guerreira, ou ser mil e uma utilidades, ou casar, ou ser feminina, ou ter cabelo comprido, ou ser delicada, ou ser forte. Nenhuma mulher precisa ser bonita, ou malhar, ou se preocupar com a alimentação, ou cuidar de ninguém, ou usar brinco, ou gostar de rosa, ou gostar de homem. Nenhuma mulher precisa fazer alguma coisa que não deseja, simplesmente pelo fato de ser mulher.
(…) Nenhuma regra social deve impor algum dever à mulher, se a regra for baseada no argumento de que ela é mulher.

Parem e pensem, por favor. Desconstruir essa persona criada para representar mulheres do mundo todo é preciso. Chega de clichês imbecis. Chega de estupidezes mil travestidas de “opiniões” que dizem como devemos ser e como devemos usar nosso próprio corpo.
É preciso que tenhamos espaço e apoio para ser quem bem desejamos sem que tenhamos que cumprir tabelas pré-estabelecidas por uma sociedade atrasada e preconceituosa.

Nós somos a soma do que aprendemos com erros e acertos, com a nossa vida e com a vida das pessoas que nos criaram, nos amaram e nos machucaram. Todos nós somos assim. Todos nós temos defeitos, qualidades e nuances próprias. Todos temos desejos únicos. E não merecemos ser colocadas na mesma cesta de personalidade simplesmente por termos nascido com vaginas.

No dia 8 não me dê flores. Se puder, me dê cinco minutos do seu tempo para ouvir (ou ler) a respeito da causa feminista. E uma coxinha, também quero uma coxinha.

Em 2015, ninguém “tem que” nada

Quando o assunto é “regra”, sempre fui a favor da máxima que diz que ela deve ser cumprida. Fui criada assim. Apesar de pais bastante liberais e que fizeram questão de estimular meu poder de argumentação (para orgulho e desespero deles), toda minha infância e adolescência foi baseada nas obrigações que tinha que cumprir, no que era meu direito e no que era meu dever. Por mais que meus pais permitissem que os deveres diários fossem questionados, jamais abriram mão de dizer: “Você pode discordar e até ter razão, mas obrigação é obrigação”.

rules

Levou alguns anos, algumas dores e inconsistências, um divórcio e toda a sensação de independência, para que eu finalmente lesse a frase “toda regra existe para ser quebrada” e não achasse uma total estupidez. Ainda não concordo com ela, mas tudo mudou.

Posso dizer que a coisa mais valiosa que aprendi em 2014 é que regras existem para serem repensadas, atualizadas e reformadas sempre que possível. Quanto mais você entende o porquê, o contexto e o objetivo de uma regra, mais você é capaz de quebrá-la com maestria, educação e gentileza.

2014 foi o ano em que escolhi minhas causas a defender e amar, com unhas, dentes e paciência. Ainda não sei o que veio antes: a paixão pelas causas ou o novo entendimento das regras, mas sem dúvida as duas coisas estão diretamente ligadas.

Em geral, as regras existem para que possamos viver de forma organizada e justa, para que tenhamos uma orientação na hora de fazer escolhas que funcionem melhor, para nós e para a sociedade. Mas inúmeras delas foram criadas em fundamentos que, hoje, já não fazem sentido algum. O que é antigo e ultrapassado deve ser discutido e enfrentado.

Em 2014, aprendi que:
– Nenhuma mulher tem a obrigação de ser ou fazer qualquer coisa simplesmente pelo fato de ser mulher. Nenhuma mulher precisa ser mãe, ou usar saia, ou ser guerreira, ou ser mil e uma utilidades, ou casar, ou ser feminina, ou ter cabelo comprido, ou ser delicada, ou ser forte. Nenhuma mulher precisa ser bonita, ou malhar, ou se preocupar com a alimentação, ou cuidar de ninguém, ou usar brinco, ou gostar de rosa, ou gostar de homem. Nenhuma mulher precisa fazer alguma coisa que não deseja, simplesmente pelo fato de ser mulher.

– Ao mesmo tempo, aprendi que toda mulher também tem o direito de querer ser mãe, dona de casa, de paparicar o marido, de cozinhar e cuidar da família. Tem o direito de só se achar bonita de saia, de batom vermelho e cabelo arrumado. E, se puder, tem o direito de não querer trabalhar. Ninguém é menos feminista por causa disso. Nenhuma regra social deve impor algum dever à mulher, se a regra for baseada no argumento de que ela é mulher.

– Em termos de consultoria de imagem, aprendi que devemos abrir mão de palavras castradoras de auto-estima. “Emagrecedor”, “disfarce de silhueta”, “vulgar” e “engordativo” são palavras que classificam a pessoa através dos nosso olhar e só prejudicam a construção da auto-imagem do outro. Não somos nós que dizemos quem o outro deve ser ou parecer, certo? Não existe nada nem ninguém no mundo que pode te dizer o que usar. A única coisa que guia o que você pode vestir é o dresscode (leia aqui sobre a única regra que não pode ser quebrada).

– Aprendi que não adianta tentar padronizar o mundo através de regras criadas pelas nossas próprias réguas. Não é porque o meu quadril é grande e eu não gosto, que todas as outras pessoas de quadril grande devem disfarçar os seus. Não é porque você fez faculdade e tem sucesso, que o outro deve fazer faculdade para ter sucesso. Não é porque você emagreceu e fez dieta, que o outro não possa estar perfeitamente feliz com o próprio corpo. Não é porque você é gordinho e feliz, que o cara que acorda às 7 da manhã para malhar é um infeliz. Não é porque você é entusiasta da cerveja artesanal, que o outro é um idiota por adorar a industrializada. Ninguém tem a obrigação de ser da forma que você planejou.

Em 2015 (e a partir dele), ninguém “tem que” nada.

Parem os noivados

Minhas amigas sabem muito bem que fico à beira do desespero a cada novo casal que fica noivo no Facebook (salvo algumas exceções), coisa que tem acontecido pelo menos uma vez por semana. Fico louca para perguntar se eles realmente pensaram a respeito do casamento. Minhas amigas dizem que é trauma por ter me divorciado aos 27, mas não é.

É uma questão simples: “Vocês não acham que é uma coincidência enorme que todo mundo esteja achando o ‘amor da sua vida’ na mesma época da vida?”

Li outro dia que nosso complexo de princesa da Disney constrói na gente um desejo intrínseco e quase inconsciente de ser escolhida. De ser a escolhida. De ter o privilégio de ser selecionada por um homem, de ser o motivo pelo qual um cara abrirá mão de toda a sua suposta liberdade e libertinagem. Isso explica muita coisa. Explica a expectativa que a maioria tem em ser pedida em casamento, a sensação de “mission acomplished” quando ficam noivas, o sonho da festa de casamento perfeita e a até a posição de superioridade que pensam alcançar quando já podem preencher “casada” em um formulário qualquer.

Tento não julgar os desejos de ninguém. Mas a verdade é que a mulher que sonha em casar, sonha mesmo em casar com qualquer um. O príncipe encantado é aquele que te pede em casamento, que te salva de uma vida solitária e cheia de perigos aterrorizantes demais para uma mulher enfrentar sozinha.

Ficar noivo, para quem sempre sonhou com o casamento, é entrar numa gincana pessoal de preparativos (deliciosos, devo confessar) que tiram a atenção do que realmente deveria ser resolvido pré-casamento. Antes que os docinhos, as flores e os sabores de bem-casado entrem no caminho, resolvam quem vai lavar a louça aos domingos e qual assinatura da NET vale mais a pena. Porque mesmo que tenha havido uma briga homérica sobre escolher rosas brancas ou vermelhas, domingo tem toda semana e durante a vida toda tem domingo, com louça.

Sabe aquela história de ficar cego de amor? O noivado funciona como uma espécie de lente (engagement goggles) que faz com que você passe mais ou menos um ano da sua vida sem prestar a menor atenção no seu relacionamento. Qualquer impasse e discordância, por mais grave que seja, é visto como uma bobagem: afinal, você já foi escolhida para passar a vida toda com aquela pessoa. E é isso que importa. Isso e as flores do buquê.

E se você leu até aqui e está putadavida comigo, saiba duas coisas: a primeira é que eu não acho que esse seja um comportamento consciente, muito pelo contrário – como disse no segundo parágrafo. Google: complexo de princesa da Disney. A segunda coisa é que, se você pensar bem, você provavelmente não recusaria um pedido de casamento de alguém que conhece, gosta e tem afinidade, só porque ele esquece a luz do quarto acesa. Sem nem saber que essa pode ser a gota d’água no fim do seu casamento.

Escolher alguém para ficar toda a vida do nosso lado, mesmo que não seja toda a vida, é um processo que nada tem a ver com flores e vestidos. Você também faz parte da decisão. Pode ser que você queira casar, mas não agora. Pode ser que você queira casar, mas não com ele. Pode ser que você nem queira casar, mas só queira ele e queira agora. Pode ser que você queira transar com mais umas pessoas. Pode ser que você queira ir ao Marrocos sozinha. Pode ser que você esteja até gostando de outra pessoa. Pode ser que você ainda não saiba nem o que gosta mesmo de fazer. Pode ser que você queira entrar de branco na igreja, mas não tenha ideia do que o tédio pode fazer com um casamento. Pode ser que você não tenha pensado a respeito.

E pode ser que você tenha dado sorte e encontrado o amor da sua vida, e que você mal possa esperar para discutir sobre a real necessidade do pay-per-view do UFC ou sobre usar a mesa de jantar como cabideiro. Pode ser que você não consiga mais ver a vida daqui pra frente sem seu par, mesmo se tudo mudar, mesmo se tudo continuar igual. Acontece.

Desequilíbrio

“Acostume-se com o desequilíbrio”. É o que me professor de pilates me diz em todas as aulas, principalmente quando o exercício é se manter sentada em cima da bola sem os pés no chão. É difícil, bem mais do que parece. Mudar o centro de gravidade, se concentrar, tirar os pés do chão e não poder usar as mãos para se segurar. Eu quase sempre caio. Uma. Duas vezes. De repente, falta coragem para levantar os pés, falta coragem para largar a bola. Sobra medo de falhar. E aí, meu professor repete seu mantra (que nem ele sabe o quanto é importante): “Acostume-se com o desequilíbrio”.

Se você não se acostuma com o desequilíbrio, você cai. Se tem medo de se desequilibrar, não tira os pés do chão. Reconhecer a presença do desequilíbrio é saber lidar com ele. Sobre a bola, o reflexo ao menor sinal de desequilíbrio é colocar os pés de volta ao chão. Mas, assim que você acostuma, entende que tem que mexer o corpo, a coluna, o quadril, os braços, forçar o abdômen e as coxas, só para se manter ali, e se superar por mais alguns segundos.

Porque a vida é assim mesmo. Desequilibrada, imprecisa, desordenada. É preciso mudar o próprio centro de gravidade quantas vezes for preciso. E se mexer e trocar de lugar. Se esforçar para manter a concentração em meio ao caos. Achar a si em meio a tantas imperfeições.

O amor sem glúten

Procurar substitutos é uma das formas de lidar com o que não nos faz bem. Passamos a vida viciados em ajustar detalhes, trocando um botão aqui ou ali, colocando uma colher a menos de manteiga na panela. Vamos reformando nossas escolhas em busca de corpos mais saudáveis, de rotinas mais saudáveis, de relacionamentos mais saudáveis. Queremos o que há de melhor para nós mesmos, e por isso, ajustamos horários, fazemos restrições, cortamos e colamos pessoas na nossa vida.

Nos habituamos na busca pelo adequado, nos acostumamos a procurar o encaixe perfeito aparando arestas, nossas e alheias. Queremos o pão sem glúten, o leite sem lactose, o par sem defeito. Nos adaptamos aos relacionamentos sem açúcar e aos brigadeiros sem emoção.

Mas amar é gordo. Tem que ser. Tem que dar prazer e dor de estômago. Tem que ter o melhor gosto do mundo, mesmo que dê uma dor de cabeça aqui ou ali. Trabalhar é a saladinha de rúcula com rabanete. Amar é a colher de doce de leite cheia no fim do dia.

Amar é uma mistura ilógica de ingredientes que, se bem misturados, se tornam uma perfeita coisa só. Um bolo. Com calda. E sorvete. Amar é textura e consistência.

Quem ama sem glúten tem casa bonita, férias incríveis, um potencial enorme e uma aparência definitivamente atraente. Pode ser mais saudável e mais bonito. Mas, se puder escolher, escolha o que, mesmo com os piores ingredientes, consegue ser o mais delicioso, desses que deixa sorrisos e marcas permanentes.

Porque o amor que a gente quer, que a gente quer mesmo, é o que tem farinha. E açúcar, e manteiga, e sal, e corante, e espessante e, claro, conservante.

(texto bobo inspirado nesse aqui do salada mista)