Look do Dia do Dia (6)

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O equilíbrio entre volumes é essencial para um look harmônico. O equilíbrio, ou até do desequilíbrio proposital, é um dos recursos mais práticos para escolher o ponto de foco do visual. A melhor parte é que você provavelmente já faz isso intuitivamente, testando em frente ao espelho.

Normalmente em um look, o maior volume fica por conta de onde há mais tecido e/ou mais detalhes, certo? Para equilibrar, o natural é colocarmos uma peça pesada no lado oposto (tipo, topXbottom) como contrapeso. Uma questão de física. RISOS.

Nesse aspecto, o look da Lu é super interessante. Se vocês me permitem abusar um pouco da teoria e dividir o corpo em oito (de acordo com o tamanho do rosto)…
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Quase metade do corpo da Lu está coberto por tecido, no caso 3/8, porém ocupando apenas a parte de cima do look, deixando a outra metade sem nada que provocasse peso. Certo? Não. A verdade é que o contraste entre claro e escuro aqui é tão grande que o espaço “vazio” tem quase ou maior peso do que o espaço preenchido. O espaço negativo (#modices), oposto, também cria volume. Nesse caso, as pernas nuas foram responsáveis pelo equilíbrio geral do look. A sandália bem perto do tom da pele também ajuda para essa sensação e não quebra a continuidade do volume criado na parte de baixo.

Se eu pudesse trocar algo, prenderia o cabelo de Lu em um coque ou algo do tipo. O cabelo comprido e ondulado deu um volume extra na região do busto – onde já há volume extra naturalmente, nesse caso. Ele ficaria ainda mais equilibrado se o cabelo não estivesse por ali.

O que você acha?

Look do Dia do Dia (5)

Pensei em mil formas de começar esse texto, alguma historinha legal para contextualizar a análise, ou até alguma coisa que eu tenha aprendido recentemente. A verdade é que não tem outro jeito, a não ser ser objetiva: essa saia acabou com o look.

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Temos que ter muito cuidado quando usamos um look que provoca uma quebra de continuidade no olhar. Isso acontece de várias formas e por vários motivos. Nessa caso, a saia já tem tendência a provocar esse tipo de break, que faz o olhar parar em vez de “passear” pelo look, como eu costumo dizer. Ou seja, tem muita chance de tornar o look pouco harmônico. Além do próprio modelo da saia, a quebra aqui fica especialmente incômoda porque os tons de preto, da blusa e da barra superior, são diferentes.

Tanto no quase da quebra quanto no caso da diferença de cores, eu tenho uma única observação: se isso vai acontecer de qualquer forma, exagere na quebra, faça a diferença de cores parecer proposital. É mais fácil acertar dessa forma. Eu acho que é melhor passar pro mundo que você errou tentando uma coisa nova, do que estar com um lookzinho mais ou menos esquisitinho.

Falando sobre a consequência da quebra em si… Como eu disse no post anterior, ninguém “tem que nada”, então ninguém tem obrigação de se vestir de modo a afinar a cintura, diminuir o quadril ou alongar a silhueta. Mas tem que tomar um cuidado enorme para não desfigurar o próprio corpo.

Antes que vocês fiquem desesperadas porque “onde que o corpo dela está desfigurado?”, foi só uma maneira de expressar a minha sensação ao ver esse look. Até pensei que pudesse ter algum tipo de photoshop alongador na imagem. A verdade é que como disse minha amiga Carla Lemos, esse faixa bicolor da saia deslocou o centro do corpo dela. E assim, o nosso olhar fica perdido. Porque quando olhamos outra pessoa, procuramos um ponto de referência inconscientemente (por isso também insisto que devemos tentar sempre chamar atenção para o nosso rosto). Nesse caso, parece que ela tem a cintura mais longa do mundo, de uma forma totalmente desproporcional ao corpo dela.

Em última nota, eu tenho impressão que a Lala Rudge (essa maravilhosa aí, dona desse look e dos cabelos mais lindos e invejados da interneta) não deveria usar tons de pretos tão saturados assim. Tão preto-preto, tão frio. Acho que se ela fizesse aquele teste de coloração que fazemos na Consultoria de Imagem, diríamos para evitar preto saturado tão perto do rosto. Preto é mais difícil que parece, gente.

Em 2015, ninguém “tem que” nada

Quando o assunto é “regra”, sempre fui a favor da máxima que diz que ela deve ser cumprida. Fui criada assim. Apesar de pais bastante liberais e que fizeram questão de estimular meu poder de argumentação (para orgulho e desespero deles), toda minha infância e adolescência foi baseada nas obrigações que tinha que cumprir, no que era meu direito e no que era meu dever. Por mais que meus pais permitissem que os deveres diários fossem questionados, jamais abriram mão de dizer: “Você pode discordar e até ter razão, mas obrigação é obrigação”.

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Levou alguns anos, algumas dores e inconsistências, um divórcio e toda a sensação de independência, para que eu finalmente lesse a frase “toda regra existe para ser quebrada” e não achasse uma total estupidez. Ainda não concordo com ela, mas tudo mudou.

Posso dizer que a coisa mais valiosa que aprendi em 2014 é que regras existem para serem repensadas, atualizadas e reformadas sempre que possível. Quanto mais você entende o porquê, o contexto e o objetivo de uma regra, mais você é capaz de quebrá-la com maestria, educação e gentileza.

2014 foi o ano em que escolhi minhas causas a defender e amar, com unhas, dentes e paciência. Ainda não sei o que veio antes: a paixão pelas causas ou o novo entendimento das regras, mas sem dúvida as duas coisas estão diretamente ligadas.

Em geral, as regras existem para que possamos viver de forma organizada e justa, para que tenhamos uma orientação na hora de fazer escolhas que funcionem melhor, para nós e para a sociedade. Mas inúmeras delas foram criadas em fundamentos que, hoje, já não fazem sentido algum. O que é antigo e ultrapassado deve ser discutido e enfrentado.

Em 2014, aprendi que:
– Nenhuma mulher tem a obrigação de ser ou fazer qualquer coisa simplesmente pelo fato de ser mulher. Nenhuma mulher precisa ser mãe, ou usar saia, ou ser guerreira, ou ser mil e uma utilidades, ou casar, ou ser feminina, ou ter cabelo comprido, ou ser delicada, ou ser forte. Nenhuma mulher precisa ser bonita, ou malhar, ou se preocupar com a alimentação, ou cuidar de ninguém, ou usar brinco, ou gostar de rosa, ou gostar de homem. Nenhuma mulher precisa fazer alguma coisa que não deseja, simplesmente pelo fato de ser mulher.

– Ao mesmo tempo, aprendi que toda mulher também tem o direito de querer ser mãe, dona de casa, de paparicar o marido, de cozinhar e cuidar da família. Tem o direito de só se achar bonita de saia, de batom vermelho e cabelo arrumado. E, se puder, tem o direito de não querer trabalhar. Ninguém é menos feminista por causa disso. Nenhuma regra social deve impor algum dever à mulher, se a regra for baseada no argumento de que ela é mulher.

– Em termos de consultoria de imagem, aprendi que devemos abrir mão de palavras castradoras de auto-estima. “Emagrecedor”, “disfarce de silhueta”, “vulgar” e “engordativo” são palavras que classificam a pessoa através dos nosso olhar e só prejudicam a construção da auto-imagem do outro. Não somos nós que dizemos quem o outro deve ser ou parecer, certo? Não existe nada nem ninguém no mundo que pode te dizer o que usar. A única coisa que guia o que você pode vestir é o dresscode (leia aqui sobre a única regra que não pode ser quebrada).

– Aprendi que não adianta tentar padronizar o mundo através de regras criadas pelas nossas próprias réguas. Não é porque o meu quadril é grande e eu não gosto, que todas as outras pessoas de quadril grande devem disfarçar os seus. Não é porque você fez faculdade e tem sucesso, que o outro deve fazer faculdade para ter sucesso. Não é porque você emagreceu e fez dieta, que o outro não possa estar perfeitamente feliz com o próprio corpo. Não é porque você é gordinho e feliz, que o cara que acorda às 7 da manhã para malhar é um infeliz. Não é porque você é entusiasta da cerveja artesanal, que o outro é um idiota por adorar a industrializada. Ninguém tem a obrigação de ser da forma que você planejou.

Em 2015 (e a partir dele), ninguém “tem que” nada.

Look do Dia do Dia (4)

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Eu não costumo falar desse tipo de look, porque é dificílimo usá-lo como inspiração – a não ser como referência de tendência. Sinceramente, esse é um look que passaria batido pra mim, como passam os vestidos de casamento/gala que eu realmente só presto atenção quando estou em busca deles.

Eu não falaria nada sobre ele, se ele não tivesse sido comentado e re-comentado nos grupos que participo no Facebook (com menção honrosa para o #melhorgrupo) e nos grupos de whatsapp. Acontece que ninguém teria dado muito bola pra ele, mas alguém postou uma foto da Thássia com ele na fila do banheiro químico.

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Sabe aquela história do look que só funciona pra foto? Está aí o melhor exemplo que poderia ter visto. Ela está linda com ele, vestiu super bem, a foto está ótima, proporções certinhas, make e cabelo de acordo com o poder das peças, acessórios idem. A escolha de um look ousado e poderoso também está de acordo com o que ela costuma usar e com a personalidade que ela demonstra. Tudo certo, não fosse o fato de que ela estava usando o look na vida real e não no universo paralelo dos blogs.

A foto do banheiro químico prova que ela estava bastante overdressed para o evento, é só olhar as meninas que estão conversando com ela na foto. Aqui, não é questão de achar a roupa bonita ou feia, não é questão de saber se você usaria ou não. Ela parece fantasiada e isso não é legal nunca – a não ser que essa seja a intenção.

Nesse caso, acho que o principal erro de adequação está nos babados da saia: estruturado demais, trabalhado demais para um evento na praia. A elegância e concordância com o dresscode já estava presente na nobreza do tecido em si. Se você imaginar apenas a saia mais fluida, ainda longa ou midi, dá pra vê-la como parte integrante dos convidados e não como um destaque esquisito. (Mesmo assim, a saia longa fluida seria péssima para casos de banheiro químico. Mas aí eu teria dó e não críticas ;)).

Estar arrumada demais para uma ocasião é dessas coisas que acontecem com todo mundo, é chato e a gente tem que viver com a má escolha por algumas horinhas.

Para que isso não aconteça, é importante tentarmos ter o máximo de informação possível sobre o evento que vamos comparecer. Tanto para não estarmos totalmente desconjuntadas com o quórum, quanto por uma simples questão de conforto. Como usar um banheiro químico com essa saia? Como suportar o calor com tanto pano? Como manter uma make tão carregada em Trancoso? É importante saber se o evento é ao ar livre, se tem gramado, se tem ar condicionado, quem vai, qual é a estrutura. Eu sei que nem sempre dá pra saber, mas é bom tentar.

Deixando conforto e overdressismo de lado… Toda vez que analiso um look com uma foto linda, tento transferí-lo para a vida real. Não só para a ocasião em questão. Tento pensar nele com uma pessoa real usando. Na foto, escolhemos a melhor pose, a posição corporal que mais favorece, tiramos o look de um contexto e colocamos no outro, somos uma imagem estática. “Usar” significa nem sempre estar com a postura perfeita e ser pega em ângulos desfavoráveis. Significa levantar os braços pra abraçar alguém, descer escada, usar banheiro químico, sentar, levantar, dançar. Significa comer, beber, suar. Não estou falando de como a peça de roupa se comporta durante o uso, nesse caso, e sim do quanto pode ser um pouco ridículo estar completamente montada e viver a vida real.

Look do Dia do Dia (3)

Cada dia é mais difícil achar um look do dia que pareça real, de quem está indo para algum lugar, vindo de outro. De quem colocou um sapato confortável ou de quem se virou com o que tinha no armário. De quem sentou, levantou, pegou o metrô, almoçou fora. De quem realmente comprou a roupa que está usando.

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E, por isso, é cada vez mais complicado achar na internet algo que funcione realmente como inspiração do que você pode fazer com o que tem. A Joana, do Um Ano Sem Zara, é das que usa looks reais de forma quase brilhante. Ela sabe usar peças improváveis e montar visuais cheio de truques pra “tomar nota” (#vovóquotes).

Sobre o look aí de cima ˆˆˆ Eu vi essa bermudona/pantalona/treco na TopShop em abril. Na arara, achei que era uma saia midi. Achei linda, peguei, reparei que era uma ~bermuda~ e falei “Eita, jamais”. Então, essa foto da Joana representa pra mim um total arrependimento. É uma peça difícil, mas longe de ser impossível.

E aqui vem o melhor truque de estilo que aprendi observando os looks do Um Ano Sem Zara: quando se tem uma peça muito forte (seja porque ela tem uma estampa pesada, ou porque ela é muito avant-garde, ou porque ela é pouco óbvia dentro do que você normalmente usa), não a use como condutora do fio da meada do look.

Explicaçãzinha: para um look harmônico é interessante que as peças se falem através de características próximas que elas tenham, que elas tenham um ponto de encontro. Assim, elas parecem partes de um mesmo todo. Aqui, o fio condutor é a cor rosa.

Ou seja, um pequeno detalhe da peça mais poderosa, é o que está mais presente no look inteiro. Dessa forma, você digamos, abaixo o volume, diminui o tom, da peça forte e, além de harmonizar todo o look, dá a impressão de que ela não foi um problema pra você. A sensação é de que ela está usando a bermudona como se estivesse escolhido um short jeans básico, não acham?

O rosa está presente na estampa, no batom, e é fundo de cor da bolsa, da blusa e – acreditem se quiser, da sandália. É tudo nude, mas com tons de rosa como base e sem ser tudo da mesma cor. Se ela tivesse escolhido preto, também presente na estampa, para nortear as escolhas, o resultado teria sido diferente. Se blusa, bolsa e sandália fossem pretas, do mesmo tom, o olhar ia parar na bermuda, e não “passear” pelo look como um todo. O maior contraste ficou por conta do óculos, que chamou atenção para o rosto (que é tudo que a gente quer, principalmente quando usando uma peça marcante na parte de baixo do look) e deu ainda mais personalidade.

Acho que a lição que fica é que o look harmônico não necessariamente é o look combinandinho. E a harmonia está presente nas sutilezas, no que a gente acha lindo e não entende bem por quê.

Look do Dia do Dia (2)

No antigo Look do Dia do Dia, a Mariah era uma das minhas peças de análise preferidas. Ela veste os looks mais caretas e os mais ousados com a mesma elegância sem fim. Na maior parte do tempo, os looks são impecáveis mesmo. Quando têm alguma desproporção, é proposital. É talento. Sou fã.

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Eu olho o look acima e sei que ele é perfeito, em todos os aspectos.

Porém, looks como esse têm todo o jeito de hiper planejados. De quem acordou e pensou: “Hoje eu estou no espírito colegial” e se montou quase como quem monta uma fantasia. Quase da mesma forma que a mulher que quer parecer sexy delícia escolhe um tubinho preto colado+saltão+make poderoso para a noite.

Antes que você fique toda “gente, que absurdo, é claro que ela não está fantasiada”, saiba que não é isso que eu estou dizendo. Estou apenas chamando atenção para algumas coisas que funcionam como inspiração e nos looks do dia nos blogs, e não necessariamente funcionam na vida real.

Esse look da Mariah é LINDO, mas para o mundo offline, ele é montado demais. Aí você fala: “Quê? Nina, cê tá loucaaaa, olha que look básico”. É, mas não é.

É quase impossível combinar saia tipo colegial com camisa branca de botão e não ficar borderline fantasia. Pra usar sem parecer hiper planejado, existem uns bons truques. A Mariah combinou com a botinha de salto mais descoladinha, o que ficou ótimo. Outro recurso para o look não ser perfeitinho demais, é a o caimento um pouco mais largo da camisa e o botão estrategicamente aberto no colo (que ainda ajuda a alongar a silhueta).

Acho que para a vida real, faltou uma edição nos acessórios. Era ou o laço ou a bolsa.

A saia como peça girlie do look já passa todo o clima do visual. Sem a bolsa, o laço é um fashion statement. Sem o laço, a bolsa dá o toque de cor que faltaria no look.

No fim, eu acredito que a imperfeição, mesmo que planejada (como o botão aberto da camisa), é o segredo para o look natural.

O que você acha?

Look do Dia do Dia (1)

A partir de hoje, os looks do dia do dia nova geração serão numerados.

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Esse blog é um descoberta recente (como tem blog profissional hoje em dia né? all hail to the bloggers) e uma surpresa muito boa, antes de mais nada. A Luly Mendonça é uma pessoa real, com corpo real e looks reais – muito mais delícia de ler do que blogs que viraram revistas/editoriais de moda.
Calça estampada com animal print é um perigo. Pink é um perigo. As duas coisas juntas ligam um alarme no cérebro *danger* *danger*.

CAPÍTULO I – A CAMISETA PINK
Eu odeio dizer que certas coisas são proibidas para algumas pessoas. A realidade é que nada é proibido na moda. Mas as cores, principalmente, precisam de atenção especial. A mesma cor pode ter tons e sub-tons totalmente diferente e são esses detalhes que podem tornar uma peça de roupa perfeita ou totalmente destruidora de look.
Aqui a Luly acertou direitinho no tom, que realçou o tom de pele. O caimento da t-shirt também está perfeito, não é larga demais e também não é justa demais, dando uma sensação de que o look foi montada de forma bastante natural.
Em contraste com a calça de animal print, a camiseta pink serviu como um divisor de atenções. Ou melhor, ela é a grande peça do look, deixando a calça em segundo plano.

CAPÍTULO II – A CALÇA ESTAMPADA
Calça estampada é um perigo porque pode engolir o look todo. Ela tem uma tendência enorme a ser a protagonista o que, normalmente, causa desequilíbrio de proporções, pois o peso acaba caindo todo para a parte de baixo. E a calça (ou qualquer outra peça de roupa for that matter) nunca deve chamar mais atenção do que o rosto de quem usa – o seu rosto é seu contato com a humanidade, é o aspecto mais importante de qualquer look. Aqui, além da t-shirt ter trazido o equilíbrio, os acessórios serviram para tornar o look uma unidade, trazendo atenção para o rosto de dando personalidade.

CAPÍTULO III – OS ACESSÓRIOS
A combinação pink + animal print tem sempre uma grande chance de virar fantasia de personagem-clichê-perua-nova-rica-de-novela. As bijoux em tons de prata, com peso, e os acessórios em couro preto foram um grande truque para dar personalidade ao look e não cair na mesmice. O colar ainda tem duas funções especiais: trazer a atenção para o rosto e criar um decote imaginário (ótimo alongador de silhueta).

Considerações finais:
– O look é harmônico pra caramba. Excelente inspiração para quem tem calça estampada no armário. Principalmente, excelente inspiração para quem não tem pernas super hiper longas e finas e acha que não pode usar calça estampada: pode sim, mas lembre de colocar bastante peso na parte de cima do look para equilibrar.
– Sinceramente, não me decidi ainda sobre o que eu acho a respeito da barra da calça. Acho que precisava aparecer um pouco mais de pele ali na região tornozelo peito do pé, pra ficar ainda mais harmônico. Eu testaria dobrando um pouco a barra ou experimentando com um sapato que mostrasse mais o peito do pé.

E você? O que acha?

Look do Dia do Dia: O Retorno

Oficialmente, retorno aos deveres do Look do Dia do Dia. É a segunda tentativa de retorno desse exercício que eu tanto adoro e que eu tinha deixado de lado por incontáveis motivos – que vou acabar explicando aos poucos, enquanto retomo os posts.

Na primeira tentativa, eu disse isso aqui: “Antigamente, eu tinha esse outro blog, o Look do Dia do Dia. Lá eu fazia uma análise dos looks das blogueiras, gostando ou não. (…) Mas agora, que meu curso de Image Consulting está terminando aqui em NY, vou voltar a fazer as análises como exercício.”

Já faz um pouco mais de um ano que voltei ao Brasil e nada de cumprir minha promessa comigo mesma. Está na hora, certo? ;) Agora, me organizei bonitinha e minhas três ou quatro leitoras podem acompanhar o LDDDD direto da categoria dele. Por lá, coloquei alguns posts antigos do blog falecido, para quem quiser ver.

Daqui a pouco já tem post novo, mas antes não posso deixar de fazer dois comentários sobre consultoria de imagem e as análises de look do dia:

REGRAS EXISTEM PARA SEREM QUEBRADAS
Pra mim, e indo contra boa parte das aulas que eu tive a respeito, as regras existem para serem quebradas. Entender o próprio corpo é um bom truque para se vestir bem. Porém, a maior ferramenta que você pode usar é sua percepção sobre si mesma e a seu conceito de beleza. Pra mim, vale tudo contanto que te faça feliz. Roupas são um recurso incrível para mostrar ao mundo quem você é, e no fim quem define o que vai bem em você, é você. Aqui nesse blog, as regras impostas pela literatura da consultoria de imagem são apenas linhas-guia, e a gente pode colorir fora delas.

A ÚNICA REGRA QUE NÃO PODE SER QUEBRADA
Pra mim, não existe “não pode”. Idade, tipo de corpo, altura, cor da pele, do cabelo e posição social não limitadores e não devem ser nunca. O único aspecto limitador é o dresscode, e portanto a única regra que não deve ser quebrada. Respeitar o dresscode do trabalho, do evento e seja lá do que mais, é gentil e elegante. E mesmo dentro de um código de vestimenta, dá para brincar bastante.

Bora?

Parem os noivados

Minhas amigas sabem muito bem que fico à beira do desespero a cada novo casal que fica noivo no Facebook (salvo algumas exceções), coisa que tem acontecido pelo menos uma vez por semana. Fico louca para perguntar se eles realmente pensaram a respeito do casamento. Minhas amigas dizem que é trauma por ter me divorciado aos 27, mas não é.

É uma questão simples: “Vocês não acham que é uma coincidência enorme que todo mundo esteja achando o ‘amor da sua vida’ na mesma época da vida?”

Li outro dia que nosso complexo de princesa da Disney constrói na gente um desejo intrínseco e quase inconsciente de ser escolhida. De ser a escolhida. De ter o privilégio de ser selecionada por um homem, de ser o motivo pelo qual um cara abrirá mão de toda a sua suposta liberdade e libertinagem. Isso explica muita coisa. Explica a expectativa que a maioria tem em ser pedida em casamento, a sensação de “mission acomplished” quando ficam noivas, o sonho da festa de casamento perfeita e a até a posição de superioridade que pensam alcançar quando já podem preencher “casada” em um formulário qualquer.

Tento não julgar os desejos de ninguém. Mas a verdade é que a mulher que sonha em casar, sonha mesmo em casar com qualquer um. O príncipe encantado é aquele que te pede em casamento, que te salva de uma vida solitária e cheia de perigos aterrorizantes demais para uma mulher enfrentar sozinha.

Ficar noivo, para quem sempre sonhou com o casamento, é entrar numa gincana pessoal de preparativos (deliciosos, devo confessar) que tiram a atenção do que realmente deveria ser resolvido pré-casamento. Antes que os docinhos, as flores e os sabores de bem-casado entrem no caminho, resolvam quem vai lavar a louça aos domingos e qual assinatura da NET vale mais a pena. Porque mesmo que tenha havido uma briga homérica sobre escolher rosas brancas ou vermelhas, domingo tem toda semana e durante a vida toda tem domingo, com louça.

Sabe aquela história de ficar cego de amor? O noivado funciona como uma espécie de lente (engagement goggles) que faz com que você passe mais ou menos um ano da sua vida sem prestar a menor atenção no seu relacionamento. Qualquer impasse e discordância, por mais grave que seja, é visto como uma bobagem: afinal, você já foi escolhida para passar a vida toda com aquela pessoa. E é isso que importa. Isso e as flores do buquê.

E se você leu até aqui e está putadavida comigo, saiba duas coisas: a primeira é que eu não acho que esse seja um comportamento consciente, muito pelo contrário – como disse no segundo parágrafo. Google: complexo de princesa da Disney. A segunda coisa é que, se você pensar bem, você provavelmente não recusaria um pedido de casamento de alguém que conhece, gosta e tem afinidade, só porque ele esquece a luz do quarto acesa. Sem nem saber que essa pode ser a gota d’água no fim do seu casamento.

Escolher alguém para ficar toda a vida do nosso lado, mesmo que não seja toda a vida, é um processo que nada tem a ver com flores e vestidos. Você também faz parte da decisão. Pode ser que você queira casar, mas não agora. Pode ser que você queira casar, mas não com ele. Pode ser que você nem queira casar, mas só queira ele e queira agora. Pode ser que você queira transar com mais umas pessoas. Pode ser que você queira ir ao Marrocos sozinha. Pode ser que você esteja até gostando de outra pessoa. Pode ser que você ainda não saiba nem o que gosta mesmo de fazer. Pode ser que você queira entrar de branco na igreja, mas não tenha ideia do que o tédio pode fazer com um casamento. Pode ser que você não tenha pensado a respeito.

E pode ser que você tenha dado sorte e encontrado o amor da sua vida, e que você mal possa esperar para discutir sobre a real necessidade do pay-per-view do UFC ou sobre usar a mesa de jantar como cabideiro. Pode ser que você não consiga mais ver a vida daqui pra frente sem seu par, mesmo se tudo mudar, mesmo se tudo continuar igual. Acontece.

Desequilíbrio

“Acostume-se com o desequilíbrio”. É o que me professor de pilates me diz em todas as aulas, principalmente quando o exercício é se manter sentada em cima da bola sem os pés no chão. É difícil, bem mais do que parece. Mudar o centro de gravidade, se concentrar, tirar os pés do chão e não poder usar as mãos para se segurar. Eu quase sempre caio. Uma. Duas vezes. De repente, falta coragem para levantar os pés, falta coragem para largar a bola. Sobra medo de falhar. E aí, meu professor repete seu mantra (que nem ele sabe o quanto é importante): “Acostume-se com o desequilíbrio”.

Se você não se acostuma com o desequilíbrio, você cai. Se tem medo de se desequilibrar, não tira os pés do chão. Reconhecer a presença do desequilíbrio é saber lidar com ele. Sobre a bola, o reflexo ao menor sinal de desequilíbrio é colocar os pés de volta ao chão. Mas, assim que você acostuma, entende que tem que mexer o corpo, a coluna, o quadril, os braços, forçar o abdômen e as coxas, só para se manter ali, e se superar por mais alguns segundos.

Porque a vida é assim mesmo. Desequilibrada, imprecisa, desordenada. É preciso mudar o próprio centro de gravidade quantas vezes for preciso. E se mexer e trocar de lugar. Se esforçar para manter a concentração em meio ao caos. Achar a si em meio a tantas imperfeições.