Desequilíbrio

“Acostume-se com o desequilíbrio”. É o que me professor de pilates me diz em todas as aulas, principalmente quando o exercício é se manter sentada em cima da bola sem os pés no chão. É difícil, bem mais do que parece. Mudar o centro de gravidade, se concentrar, tirar os pés do chão e não poder usar as mãos para se segurar. Eu quase sempre caio. Uma. Duas vezes. De repente, falta coragem para levantar os pés, falta coragem para largar a bola. Sobra medo de falhar. E aí, meu professor repete seu mantra (que nem ele sabe o quanto é importante): “Acostume-se com o desequilíbrio”.

Se você não se acostuma com o desequilíbrio, você cai. Se tem medo de se desequilibrar, não tira os pés do chão. Reconhecer a presença do desequilíbrio é saber lidar com ele. Sobre a bola, o reflexo ao menor sinal de desequilíbrio é colocar os pés de volta ao chão. Mas, assim que você acostuma, entende que tem que mexer o corpo, a coluna, o quadril, os braços, forçar o abdômen e as coxas, só para se manter ali, e se superar por mais alguns segundos.

Porque a vida é assim mesmo. Desequilibrada, imprecisa, desordenada. É preciso mudar o próprio centro de gravidade quantas vezes for preciso. E se mexer e trocar de lugar. Se esforçar para manter a concentração em meio ao caos. Achar a si em meio a tantas imperfeições.

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