Forever 21 no Brasil: O que muda pra gente?

Fato: A Forever 21 chegou no país.

Fato II: Chegou com preços surpreendentemente baixos (sendo o mais alto R$109).

~pausa para dancinha~

Mas o que isso muda pra gente?

Para o mercado de moda, a gente pode esperar um baque enorme. Afinal, nenhuma marca de moda interessante e mainstream hoje pratica preços competitivos com uma forever xxi no mercado. A minha previsão é que algumas marcas aumentarão bem o preço para se posicionarem como luxo/semi-luxo, as espertas (finalmente) investirão em fortalecimento da marca e fidelização do cliente e as desesperadas morrerão. Podem aguardar o falecimento e inevitável falência de algumas conhecidas por aí.

Mas não é sobre o impacto no mercado de moda que eu quero falar. – Para isso aguardo análises dos especialistas.

Estive pensando sobre o que vai acontecer com nosso comportamento de compra, nossa forma de escolher, de pensar no orçamento… Como vai mudar o nosso olhar, tanto para a moda quanto para a roupa em si? Confesso que quase não coloquei esse ponto de interrogação no final da frase. Porque eu sinceramente acho que a nossa relação com a compra de roupas vai mudar.

Eu acho que a primeira mudança é a de comportamento de compra na própria Forever 21. Todas compramos lá, seja em viagens, seja imaginariamente no site (vocês não fazem isso? Eu faço). A questão é que, numa viagem, a gente tem um dinheiro que está ali para ser gasto e pouco tempo para gastar. Ou seja, o comportamento brasileiro na F21 é, por falta de palavra melhor, enfurecido. A ideia é comprar volume e gastar pouco. Experimentar e analisar (e re-analisar) é para quem tem muita paciência. Afinal, quando é que vamos ter a chance de comprar uma calça jeans por $20 novamente?

Mas e agora? E agora que o jeans vai estar lá eternamente disponível por R$89 (é isso mesmo)?

Conto a minha experiência de morar numa cidade com F21: Eu tinha muita preguiça de entrar lá, mesmo. Mas toda vez que precisava ou queria comprar alguma coisa específica, de calça jeans à blusa para sair, eu dava uma passadinha lá primeiro, para olhar. Muitas vezes, só olhei e decidi fazer um investimento maior e comprar em outro lugar. Outras, acabei comprando uma outra coisa que achei linda. Algumas vezes, entrei lá para fazer hora e comprei uma bijoux de $2 ou $3. Inclusive, bijoux junto com moletom e pijama só comprei lá. Tudo que me parecia de “modinha” ou que eu não tinha certeza se ia curtir usar, eu comprava lá, como uma beanie.

Na minha opinião, depois que passar o frenesi da época de abertura, vamos agir assim: entrar lá, não achar nada super-demais-lindo, comprar uma camiseta divertida ou um-short-jeans-porque-mais-um-nunca-é-demais, e pronto. Aquele vestido para aquela festa, a gente vai investir mais um tico e vai em outra loja. Isso eu ACHO.

Mas eu acho isso porque acho que vamos pensar duas vezes se vale mesmo dar R$80 naquele vestidinho que todo mundo vai saber que é F21. Porque a verdade é que vamos perder aquele orgulhinho de dizer “Esse vestido de festa incrível que parece que custou R$1000? É F21, menina, foi $28”. Todo mundo vai ter essa oportunidade, basta ter olhar e um mínimo de paciência.

Já nos escritórios acho que vai bombar menina vestida igual. A F21 faz uma linha de roupas que a gente não encontra(va) aqui: roupas sociais, arrumadas e que vão além da camisa de botão e da calça social preta/cinza. E aí, gente, vai parecer Ipanema no auge do verão pós-lançamento de alto verão da Farm, só que edição formal wear. Mas também acho que só durante um tempo…

Acho que vamos finalmente aprender onde devemos investir um pouco mais e onde devemos investir bem menos. Falo das peças em si e das ocasiões em que usamos também. Já usei vestido F21 para casamento porque né, quem iria saber? Agora todos vão saber que você só investiu R$60 naquela ocasião e não, não é legal.

Ao mesmo tempo, vamos finalmente poder brincar de hi-lo, testar (e errar) com novas tendências, experimentar novos estilos, ter ao nosso alcance opções mais baratas exatamente iguais as que vemos hoje nas marcas médias… Mundo novo. E nem me venha dizer que dá para fazer isso nas lojas de departamento brasileiras, porque sinceramente, viu? É outro conceito, outra estrutura, outro público. Elas que se cuidem.

Estou ansiosa. Não para inauguração, que acontece dia 22 aqui no Rio e hoje em SP. Mas para os próximos meses, pra mudança no mercado e no nosso jeito de olhar a moda.

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4 comentários sobre “Forever 21 no Brasil: O que muda pra gente?

  1. Eu quero muito, muito, muito concordar com você, mas ainda acho que vai demorar um bom tempo pra passar o frenesi do povo de poder comprar na Forever 21. Porque além da questão preço ainda tem a questão marca. Acho que pra percepção do brasileiro a F21 está mais pra Zara do que pra C&A, e a Zara aqui é praticamente uma marca de luxo. E pensando nas outras lojas de departamento por aqui, C&A e Riachuelo vão tender mais pra preços e estética de Zara. E Líder, Renner e Marisa já não são o público da F21 de qualquer forma. Então acho pouco provável que a gente se beneficie disso com marcas já existentes. Na melhor das hipóteses, vai abrir espaço pra marcas novas. Mas enfim, são só achismos, tomara que o nosso comportamento mude mesmo.

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