Como sobrevivi 3 meses e 3 estações com 2 malas

ou “Como limpar o seu closet”.

Sempre fui do tipo de pessoa de armário cheio, farto, entupido. Quando me mudei da casa dos meus pais, transformei um quarto inteiro em closet. Enchi. Afinal, o espaço estava lá para ser preenchido. Quando acabava o espaço, eu fazia um bazar. Fiz vários, antes mesmo de me mudar, porque a verdade é que sou super desapegada das minhas roupas. Minhas amigas se fartaram em vários deles – o que acho ótimo, porque não “perco” nada.

Aí veio maio e NY, e o momento de fazer uma mala para três meses no verão. Foi mole. Tinha dinheiro guardado, programado para gastar com compras. Fiz uma mala pequena, semi-vazia, que foi levinha para minha temporada no verão da melhor cidade do mundo. Passou o verão. Voltei ao Rio com a mala mais pesada.

arrumando-mala

Plot twist. Vinte dias depois voltei para NY, dessa vez para pegar o resto do verão e todo o outono, com um hint de inverno. Dessa vez não tinha dinheiro para comprar nada além do básico (e aqui pode incluir cerveja, cada um com suas prioridades). Não tinha como fazer uma mala inteligente e, ao mesmo tempo, estilosa. Digamos que fiz uma mala esperta.

Quando passou o super calorzão de agosto, eu pude ver claramente os erros e acertos da minha mala. Mas sobrevivi, com duas malas, em temperaturas que foram de 40º a -6º, sem passar roupa nenhuma vez, lavando poucas vezes e não comprando quase nada (a não ser uma bota e uma coisa e outra no Beacon’s Closet) até a última semana por lá. Tudo por causa da mala esperta, que poderia ter sido ainda mais inteligente.

O mais interessante é que depois eu aprendi nas minhas aulas de Consultoria de Imagem e Personal Shopper que eu fiz nada mais que um armário base, uma coisa que todo mundo deveria ter. Segundo minha professora de PS, você só precisa de 13 peças por estação. E ó, é verdade. Eu comprovei.

Por isso, acho que as manhas da mala inteligente podem ser muito bem repetidas nos nossos closets entupidos. Percebe só:

Como cheguei com 40º e sabia que toleraria temperaturas abaixo de zero, quase todas as minhas roupas de verão poderiam ser transferidas para o inverno. As saias podiam ser usadas com meia-calça, alguns shorts também, assim como os vestidos. Blusas mais leves podiam ser colocadas com casacos mais pesados ou com várias camadas.
Onde eu errei: não experimentei as blusas levinhas com os casacos mais pesados. Algumas realmente não funcionaram e acabaram voltando pra mala quando o frio apertou. Assim como os shorts jeans, que eu não precisava ter levado 5 se só usei 3 (meus preferidos), alguns vestidos não ficaram bem com meia calça de lã por serem muito de verão.
O que funcionou muito bem: as t-shirts brancas de vários modelos. As saias também, por serem mais sóbrias e terem um tecido intermediário em termos de peso – nem tão frescos e nem tão pesados.

Não adianta: você só vai usar as calças que tem vestem maravilhosamente bem. Gente, sério. Levei 6 calças, entre jeans e leggings (não considerando roupa de ficar em casa, tá?), comprei 2. Usei: 4. Metade.
Onde eu errei: Não pensei nos sapatos. Várias das minhas calças eram totalmente impossíveis de usar com bota de cano curto e isso era só o que eu tinha depois que acabou o verão.
O que eu acho: Ninguém precisa de calças que vestem “mais ou menos” no corpo. Nem na mala, nem no armário. Se só tem um tipo de calça que te veste bem, só tenha esse tipo de calça. Mesmo que para isso você precise se livrar de todas as outras do seu armário e ficar com duas calças. Você vai sobreviver.

Quanto mais espaço você tiver, mais você vai encher. Não tenha espaço. Em certo momento, quando mudei de Bed-Stuy para Ridgewood (#newyorker), tive que dividir um armário com meu namorado. E por armário eu digo uma porta, com uma prateleira, um pequeno espaço para pendurar roupas, e só. Nenhuma gaveta. Di-vi-di-do por dois.
Onde eu errei: Pendurei muita coisa no mesmo cabide para economizar espaço e acabei me esquecendo de várias roupas. Muitas delas eram supérfluas mesmo e nem deveriam ter sido levadas, como as blusas fresquinhas, e acabaram escondendo roupas que eu precisava/queria usar.
O que eu acho: Ao invés de dividirem o cabide com os casacos, elas deveriam ter ido para a mala (ou para doação, se estivermos falando do seu closet).

Aprendi nas minhas aulas que se uma peça não combina com outras três ou mais do seu closet, ela tem que sair. Acho muito radical para a realidade, mas para uma mala inteligente ou para um momento em que o armário vai passar por uma mudança profunda, isso é essencial. É brincar de análise combinatória com o que você tem. E aceitar que repetir roupa é ok.
O que eu acho: Repetir roupas e tentar combinações diversas com as peças é muito mais fácil em temperaturas mais baixas. Quanto mais camadas, mais opções. Além disso, as roupas costumam ser mais sóbrias, menos marcantes que as de verão.

Você já deve imaginar. Aqui os acessórios são essenciais. Para mudar a cara, o clima, a adequação, a vida, a luz da roupa. Mas, acredita em mim, você não precisa de mais de três bolsas ou mais de quatro pares de sapato, morando no Brasil principalmente. É legal tem milhares? É. Mas desde que eu cheguei de volta, meus mais de 40 pares de sapatos estão todos dentro de malas e não fiz a menor questão de pegá-los.

No fim, é o seguinte: a gente precisa de muito pouco, mas é legal ter muito. Né? Mas acho que nesse ano vou pensar nas minhas roupas como penso nas pessoas: Mantenho todas que amo, algumas das que eu gosto bastante, me livro do que não me cai bem, não tenho nada por obrigação e pronto. Simples. ;)

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7 comentários sobre “Como sobrevivi 3 meses e 3 estações com 2 malas

  1. Otimo post! Eu mudei para Milao no final do verao e senti a mesma coisa. Primeiro que diminui meu guarda roupa em 70% e ainda tenho a sensacao de ter muita coisa. Estou passando o drama da calca e bota porem.. a maioria das minhas calcas eu uso com sapatilha e aqui fica impossivel. De qualquer forma cada vez mais me convenco de que menos e mais!

    bjs

    Responder
  2. que post maravilhoso! acabei de dar uma limpa no meu guarda roupas, fiz umas doações, e ja sinto q tenho q retirar algumas peças ainda… é mt bom ter mt, mas ter o q se usa é tão mais saudavel!

    Responder
  3. Pingback: look da Carla: neoprene e graffiti | Modices

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