Sobre It Bags

Estava ensaiando esse texto na minha cabeça há um tempão. Quando tenho uma opinião radical sobre qualquer coisa, levo bastante tempo para organizar meus argumentos. Não tenho a menor intenção de discutir a existência das it bags como produto ou como estratégia de marketing/branding. Entendo suficientemente os conceitos e manobras do mercado de luxo para criar desejo, provocar o lado aspiracional do consumidor e converter isso em vendas.
itbags
Minha opinião é simples: a it bag é mais do que uma bolsa cara. Ela é, antes de um passaporte de aceitação e um estímulo para inveja desejada, um símbolo de status pré-existente. Parece óbvio. Mas o que eu vejo hoje é o movimento contrário: a compra da it bag como um caminho de adquirir o status.

A “conta” é simples. Se a sua it bag não acompanha o seu estilo de vida, ela não é para você. Ter um artigo de luxo é um privilégio, entenda. Juntar dinheiro para comprar a bolsa não configura como privilégio, é uma indulgência. Se o seu único produto de luxo é uma bolsa, ela não é pra você. Se, não importa o look que você monte, sua bolsa vai sempre ser mais cara que a soma de todos os valores, ela não é pra você. Se ela custa mais de 1/10 do seu carro, ela não é para você.

Veja: entendo o que faz alguém querer comprar uma it bag. Eu também tenho o desejo. Digo isso tudo porque fiz essa autocrítica recentemente. Olhei pro meu próprio umbigo e pra minha vontade comprar um YSL lindíssima. Depois de analisar quantas horas de trabalho a bolsa ia me custar, pensei: “Essa bolsa não é pra mim”. Porque não é mesmo.

Hoje, estabeleci meu limite financeiro para compras únicas, um budget coerente com meu estilo de vida.

Todo mundo tem seus limites e desejos. E, principalmente, todo mundo tem o direito de gastar o seu dinheiro como bem entende. Mas olha, coerência é tudo e o que não é coerente é risível aos olhos dos outros.

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12 comentários sobre “Sobre It Bags

  1. Adorei o post super coerente! Uma amiga minha brincou uma vez “se você não sabe quanto custa uma Chanel é porque não é para vc” rs… Adorei o texto!

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  2. Nina, amooo seus textos e costumo concordar 100% com eles. Mas dessa vez digamos que concordei 80%. hahahaha E acho que só discordei os 20 porque achei sua postura um pouco radical.

    Pra mim, parte da graça em comprar um produto de luxo está em namorar, desejar, mexer meus pauzinhos e fazer umas economias para conseguir chegar no meu objetivo. Minhas melhores compras até hoje (não de $$ e sim de uso/beneficio) foram essas mais pensadas e desejadas. E imagino que, mesmo se eu ficar podre de rica amanhã, eu vou continuar pensando dessa forma e gastando o dinheiro (por mais interminavel que seja) com consciência quando o assunto é itens de luxo.

    Claro que tem casos e casos – e sempre vai ter aquela pessoa que acha que pode comprar status, literalmente, não importa em quantas x – mas acho que essa reflexão vai muito além da “conta” que você fez!

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  3. Carla, como eu falei no início do texto, eu entendo a criação do desejo por produtos de luxo e concordo com você que uma das melhores coisas da compra dele é o processo (namorar, desejar, pensar). O que eu quis falar no texto foi sobre coerência. Mesmo que você demore para tomar a decisão de compra e leve em consideração milhares de motivos, o produto de luxo deve estar de acordo com o seu estilo de vida. Sendo podre de rica ou não. Eu, por exemplo, continuo comprando produtos de luxo, mas dentro do meu budget que é estabelecido de acordo com o meu estilo de vida. A YSL não é pra mim, mas outras bolsas de luxo, são. Esse é o ponto. ;)
    Adorei que você comentou aqui! Volta mais!

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  4. Apesar de achar que cada um é livre pra gastar seu dinheiro da forma que bem entender, nem que seja parcelando em 10x pra comprar uma bolsa de luxo, eu não concordo com essa postura. Sendo bombardeada o tempo todo com informações e propagandas, é inevitável ter o desejo por uma it bag, mas qual o sentido de comprar algo que não corresponde com o seu orçamento, nem com o resto da sua vida? Eu concordo quase que totalmente com seu ponto.

    Acho que o mais importante é ver o significado disso pra cada um. O que te move a comprar? A querer tanto um determinado status? Autocrítica é sempre bem-vinda :)

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  5. Gostei tanto do seu texto que tomei a liberdade de compartilhá-lo no meu endereço de facebook (https://www.facebook.com/pages/Moda-Mastigada/464940100233805?ref=hl). Sou uma profissional de Moda mas sou das coerentes que acredita que todas as pessoas possam ser felizes contemplando alguns itens e comprando outros – e isso tudo passando por lojas acessíveis, intermediárias e as mais caras ao seus respectivos bolsos.

    Obrigada pela reflexão, Nina.

    Um abraço que vem do Rio,

    Soraya

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  6. Eu não sei se é de rir ou de chorar por causa da minha triste realidade!!!!rsrsrsrsrs Concordo com tudo que você disse! Apesar de (EU) ser blogueira e amar a moda, sou totalmente contra esse tipo de atitude, vejo que muitas mulheres se tornam escravas desse tipo de consumismo!!!! Também tenho os meus desejos, mas me recuso pagar R$5000,00 em uma “it bag”, além da restrição financeira, a minha consciência não permite nada além do que “achar bonito”…

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  7. Nooossa acabei de te conhecer e foi amor a primeira vista!!! rs… Acho que consegui captar exatamente o seu recado! Sou Consumista sim, sou mulher, vaidosa, mas é necessário a reflexão! É como comprar aquele smart de última geração e não poder atender pq está no onibus e tem medo de ser assaltado!!! rs

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  8. Ei Nina, acabei de conhecer seu blog pelas meninas do (f)utilidades e adorei!

    Mas assim, discordo um pouquinho dos cálculos que vc fez.. rsrsrsr Eu amo bolsas e invisto mesmo! Claro que uma Birkin, Kelly ou qualquer outra Hermes (desculpa a falta do acento, mas meu comp não tá deixando… rsrsr) são coisas fora de cogitação pra minha realidade.

    Mas sou mais de usar Zara, Forever 21 e marcas afins e jogar nisso uma bolsa bacana do que investir caaaaro em roupas. Tenho um bloqueio com isso, me falta coragem, sabe? A mesma coisa para sapatos. Louboutin, Casadei, Charlotte Olympia, não tenho coragem mesmo. Sofro pra pagar 400 reais num sapato! rsrsr É bloqueio mesmo!

    Tenho meio que um pensamento que roupas e sapatos passam e bolsa fica, sabe? Sou muito estranha? rsrsr

    Bjão

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  9. Pingback: Bolsas custo x benefício | andpizzazz

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