Quem é você em Girls?

Ninguém. Espero que essa seja sua resposta também.

Minha amiga querida amada Liv postou em seu feice que não entendia porque pessoas legais insistiam em se dizer iguais à personagem de Lena Dunham, Hannah. Foi a maior confusão, virou uma discussão imensa. Eu discordei da Liv, fui no gtalk conversar e depois entendi. Entendi e concordei.

Girls hoje é uma das minhas séries preferidas. Adoro a forma como a história é contada e como ela é quase surrealista em toda sua normalidade. Aquelas personagens, as quatro meninas, são espelho dos nossos piores defeitos, do nosso lado mais mimado, mais intolerante e egoísta. Se identificar com elas é um processo quase libertador.
marnie
Quando Liv me disse que “eu acho estranho dizer que se acha igual a um personagem mimado, egoísta e que se acha um presente de deus pra humanidade”, eu pensei “Putz, e agora? Eu me identifico com elas em vários momentos”. Então, eu entendi: não é legal dizer isso. E não é mesmo.

Muitas vezes, ver seus defeitos e seus erros expostos na televisão (ou em livros) é uma experiência muito íntima. Às vezes, sua história precisa ser contada por outro, vivida por outro, para que você saiba o que fazer a partir dali. É assim que eu sinto Girls (e assim que sinto muitas outras histórias e vários outros formatos que passam pela minha vida).

Mas parem de dizer que Girls é a “voz da minha geração”. Não é. Não quero que me vejam ali, ou que vejam minhas amigas ali. Elas são tudo o que a gente luta internamente para não ser. A “voz da geração” é aquela que externaliza o que todo um grupo tem vontade de dizer, como ele quer ser visto e entendido. E não queremos ser vistas no nosso pior, não queremos dizer nada daquilo. Girls é incrível porque é tudo o que a gente gostaria de esconder ou tudo que a gente já errou e aprendeu.

Respondendo à Liv, acho que as pessoas se dizem “iguais” a um personagem como Hannah porque veem nela um aval para ser daquela forma. “Se ela pode, eu também posso e ninguém pode se incomodar”. Mas no fundo, seria melhor que todas se identificassem com Lena Dunham – gênia da nossa geração.

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6 comentários sobre “Quem é você em Girls?

  1. Tu conseguiste traduzir o incômodo que eu sinto quando vejo pessoas felizes ao dizer que veem em Girls a voz da nossa geração. Parece que ter as atitudes babacas que elas têm é sinônimo de ser “descolado” (como detesto essa palavra…hahahha).
    Eu gosto do seriado – mesmo detestando a Hanna – e me identifico com algumas situações e falas dos personagens (como essa da Marnie que está no post), mas não acho que isso seja motivo pra animação, muito menos de orgulho por ser retratada ali. Eu fico meio chocada quando isso acontece.
    Talvez as pessoas misturem demais a Lena com a Hanna. Claro que muito da escritora está na personagem, mas acho que ela maximiza as situações pra moldá-las pra a linguagem televisiva. Eu não vejo a Hanna – que não aguenta uma crítica aos seus textos – sendo uma Lena.

    Beijo

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  2. Tu conseguiste traduzir o incômodo que eu sinto quando vejo pessoas felizes ao dizer que veem em Girls a voz da nossa geração. Parece que ter as atitudes babacas que elas têm é sinônimo de ser “descolado” (como detesto essa palavra…hahahha).
    Eu gosto do seriado – mesmo detestando a Hanna – e me identifico com algumas situações e falas dos personagens (como essa da Marnie que está no post), mas não acho que isso seja motivo pra animação, muito menos de orgulho por ser retratada ali. Eu fico meio chocada quando isso acontece.
    Talvez as pessoas misturem demais a Lena com a Hanna. Claro que muito da escritora está na personagem, mas acho que ela maximiza as situações pra moldá-las pra a linguagem televisiva. Eu não vejo a Hanna – que não aguenta uma crítica aos seus textos – sendo uma Lena.

    Beijo

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  3. Oi Nina! Fiquei dias pensando sobre o que eu pensava do teu texto… Coisa boa ler algo que faça a gente refletir assim :)
    Entendo que em Girls elas são pura exposição e exagero, até as meninas mais low profile são irreais, mas acho que a identificação das pessoas com as personagens (ou, pra não ir tão longe, com algumas atitudes e momentos) acontece mais no sentido de que: ei, é ok não ser perfeito! Vou me basear mais na primeira temporada, porque a segunda tem coisas um pouco apelativos, ok? A própria Lena já disse que coloca muitas histórias reais da vida dela ali, e que isso é um pouco embaraçoso, mas é humano. E por isso tem esse reconhecimento fácil, não acha? Também não sei se, em tempos de bloggers e celebridades com vidas perfeitas na internet, não seja um alívio ver isso – assim como uma Man Repeller debochando de si mesma – e pensar: posso assumir que tenho erros e defeitos. Isso é ser normal!
    Viajei? Hahah enfim, adorei a discussão!
    Beijos

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  4. Tente assistir girls uma vez, duas, três. Aí parei, percebi que insistir não ia adiantar, eu não tinha gostado mesmo. Achei bem escrita, bem produzida, mas não me cativou, sei lá porque. Confesso que gosto das mocinhas de novela mexicana. Elas sofrem, sofrem, sofrem, mas sempre dão um bom exemplo. Tá, dá vontade de bater na cara delas de vez em quando, também não acho que sejam modelos reais (né possível que alguém seja tão pura, cândida, boa, perfeita e blá blá blá), só que eu gosto de ficção. Fazer o quê? Taí, vai ver foi isso que me fez não gostar de girls: a realidade. E sim, eu minto pra mim mesma porque tenho vergonha de ser uma pessoa ruim, mesmo que só de vez em quando. :p

    Beijos

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